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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
descrição de concreto armado 0
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Resposta corrosão da armadura #2
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
concreto_armado - CORROSÃO DA ARMADURA #2
então eu lembrei do texto só que morre pode dizer, que havia escrito no início de janeiro de 2014 e postado no blog. eu li o texto para as meninas. e é curioso: ele parece a coisa mais sincera de todas. a coisa mais sincera sobre esse jogo que inventamos: de por meio do teatro nos fazermos de mortos para falar da vida massacrada.
assim, fomos percebendo: o que é concreto armado?
teve copa. o que não teve foi peça de teatro, obra.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
concreto_armado - CORROSÃO DA ARMADURA #1
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sábado, 21 de junho de 2014
depois de tudo já terminado...
depois ultrapasso a dúvida e penso: por que não escrever no blog de concreto armado toda essa coisa que me toma e me impede alguma chegada?
o processo continua em mim, feito máquina de moer carne (e também ossos). como é difícil olhar o caminho percorrido, agora, depois de tudo já terminado. percebo que tudo acaba e tudo continua. e que é esse o jogo mais cruel e sensato: a vida continua.
depois penso - e começo a realmente perceber - que a dor é minha e não é de mais ninguém. existe uma cobrança imensa que eu trouxe a mim quando na verdade, talvez, eu tivesse que ter deixado ela simplesmente passar por mim, por este projeto... eu não sei. precisou e ainda se está precisando de tempo.
tenho a terrível sensação que o desejo - hoje - é capaz de ferir e cansar, o desejo é essa força que revoluciona e que agrega, mas também é a força capaz de gastar e torturar. que cansaço esse processo de criação. que abismo imenso. quantas tentativa e quanta - ainda - irresolução. ok. eu penso agora: mas havia algo a ser resolvido? não, não havia... mas a cobrança do mundo nos confronta com a poesia crua e ingênua das nossas intuições e desejos mais primitivos: era só uma peça de teatro. devia ter sido apenas isso.
mas para onde a levei? eu, um dos inúmeros criadores deste projeto?
eu não sei. ao menos, agora, desejo me juntar novamente para tocar no impossível com mãos mais calejada e íntimo absurdamente mais ciente do buraco no qual nos lançamos.
domingo, 20 de abril de 2014
sábado, 22 de março de 2014
CONCRETO ARMADO estreia no Festival de Curitiba
Na próxima semana, dias 26 e 27 de março, quarta e quinta às 21h, o Teatro Inominável estreia seu novo espetáculo na Mostra 2014 do Festival de Curitiba. CONCRETO ARMADO apresenta o drama de uma professora da pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo, interpretada pela atriz Marina Vianna. Junto a uma turma de alunos (Adassa Martins, Andrêas Gatto, Caroline Helena, Flávia Naves, Gunnar Borges e Laura Nielsen), a professora investiga a reforma e a preservação do Estádio Mário Filho - Maracanã - durante a Copa do Mundo de 2014, na cidade do Rio de Janeiro.
Após a estreia no Festival, o espetáculo realiza a estreia carioca na quinta-feira 03 de abril de 2014, iniciando temporada no Teatro de Arena do Espaço Sesc (Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana). A temporada se estende até o dia 27 de abril, de quinta a sábado às 20h30 e aos domingos, 19h.
Confira matéria recente da jornalista e crítica de teatro Luciana Romagnolli, publicada no Jornal Gazeta do Povo, de Curitiba/PR: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1453947
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terça-feira, 18 de março de 2014
processar o processo
não faz sentido sentar agora, 00h25, para escrever sobre o processo. a questão é que o processo de criação se faz em processo e assim também é com a compreensão de todas as coisas.
concreto armado está se anunciando. se há tempo, se está no tempo, não importa. lutamos diariamente para deixar mais claro e evidente aquilo que nem sabemos ainda, mas que já está ali, faz muito tempo, em forma bruta e anuviada.
a performance volta. ela sempre volta. não se brinca com isso e se tira o assunto da roda. eu deveria saber disso, mas é o processo. quando afirmo isso não tiro de mim alguma responsabilidade. está tudo dado, mas com o tempo, o tempo em tentativa consegue ser melhor olhado, com alguma distância que não o olho colado nas mãos em tentação.
hoje, agora, se olho para tudo isso, vejo clarezas irrevogáveis (e como tudo deliberado, como tudo que é categórico e pragmático) e, portanto, sempre e de novo, mais uma vez, questionáveis.
há só perguntas.
linhas narrativas. com quantas linhas e com quantos tipos de linhas se constrói um corpo, uma dramaturgia, do corpo, da revelação, das palavras e da cena? muitas linhas. de muitas qualidades distintas.
concreto armado reúne vozes para dizer o indizível. reúne corpo em gesto e ação expressivas para dar conta do impossível. afinal, quando foi que falar desses assuntos seria algo simples, claro, retilíneo?
temos o drama acontecendo lá onde só o drama pode fazer acontecer alguma coisa. afeto. drama aqui enquanto transformação. nenhuma cena começa sem, ao seu término, ter movido seus atuantes.
temos as imagens mudas, secas de voz, mas carregadas de presença. imagens que anunciam o drama, que o desdobram, que o complementam. imagens são espaços abertos, sugestivos, pedem ao espectador que se mire o conjunto e lhe atribua olhar, tato, sentido sensível.
temos o romance. oh, romance. por que demorei tanto a trazê-lo ao colo? o romance sobrevive enquanto odisséia épica que narra com as suas qualidades específicas aquilo que vemos sem matéria, os sentimentos todos que morrem quando se tenta expressá-los.
o que é, então, a poética de concreto armado?
polifonia sonho. tudo rachado. a unidade está nos cacos que cada fissura costura.
muitas vozes, muitos corpos, em arranjos delicados e frágeis, porque não querem representar o belo animal, querem apenas trazer à mostra, à cena, ao outro (que nos vê e lê), o nosso estado humano fissurado, cortado e ao mesmo tempo costurado por tanta impermanência, tanto desejo de morte e de vida.
aqui, só palavras. na cena e fora dela, arranjos possíveis para dizer do impossível que só mesmo o homem é capaz de criar.
hoje foi dito por marina: construir árvores. não há gesto mais concreto e mais emblemático do que este: ser a confusão das formas que tentam, cada qual a sua maneira, nos consertar.
vamos construir árvores. assim como vamos construir cenas. um gesto artificial que busca atingir a dimensão viva do organismo vivo que só vive hoje porque o convocamos à cena.
paradoxo do comediante hoje e de novo, sempre, outra vez;
…
quarta-feira, 12 de março de 2014
Roteiro de Cenas - Concreto Armado (Teatro)
1A - Glória e Paolo
1C - Manuela, Antonisia e Alexandre
2B - Riane e Virgília
2C - Alexandre e Antonísia
2D - Glória e Paolo
3A - Pesquisa - Maracanã
4B - Alexandre e Glória
5B - Pesquisa Bic Reificação
6B - Pesquisa - Concreto Fissurado + Virgília
6C - Riane e Virgília
segunda-feira, 10 de março de 2014
NA MORTE DE UM COMBATENTE DA PAZ - bertold brecht
Aquele que não cedeu
Foi abatido
O que foi abatido
Não cedeu.
A boca do que preveniu
Está cheia de terra.
A aventura sangrenta
Começa.
O túmulo do amigo da paz
É pisoteado por batalhões.
Então a luta foi em vão?
Quando é abatido o que não lutou só
O inimigo
Ainda não venceu.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Rubricas Cena 2 - Guerra
Todos de pé, sem necessariamente mirarem-se nos olhos. Os olhos são sempre as últimas partes do corpo a enxergar. Depois que se morre, os olhos sobrevivem um tempo feito bola de bilhar, opacos e fechados, demoram a se corroer e a fissurar. Em morte, demora-se tempo longo até voltar a enxergar. A consciência de quem morre volta sempre através das pontas dos dedos, facilmente carcomidas, pela primeira pele, já exposta e ferida. Eles se erguem, machucados e mortos.
Rubricas Cena 1 - Sacrifício
Os corpos produzem espasmos. Como gritos finos e contínuos, ou bruscos e interrompidos, não há harmonia. A morte desconhece organização e é linda, mesma em desarranjo. Mais um espasmo. Um lá, outro cá. Os corpos mortos estão nascendo de novo ou, melhor, estão sendo abraçados pela morte.
De súbito, Glória se ergue e permanece ereta, recém-desafogada. Inerte, mira a frente que tem tudo e mesmo tendo tudo não tem nada.
GLÓRIA
é bom demais
para ser verdade
…
Paolo conversa com ela, mesmo sem olhar nos olhos. Talvez ele se aproxime, mas não consiga acessar o dentro de seus olhos. Ele sabe, é que depois que se morre, o corpo volta primeiro como discurso, como texto, como vômito de tudo que se disse de mais importante, tempos antes de morrer. Eles conversam. Glória mais acelerada, Paolo ligeiramente apaziguado.
Os corpos no chão, eventualmente, como araras, mexem nas penas machucadas, espasmam-se. É a morte ganhando vida enquanto gesto defectível, gesto inominável, ruído, ranhura.
Glória vai ao chão. O corpo não aguenta mais o furor dos desejos interrompidos. Paolo mira um corpo que sobe abrupto. É Virgília, é também Riane, é outro encontro que se refaz acelerado, como se porque tenha sido realmente inesquecível.
VIRGÍLIA
desculpa
uma pergunta
…
Os olhos não acompanham a velocidade da fala que salta. Talvez por isso pareçam distantes, lá longe, como fossem olhos olhando o acontecimento que hoje sobrevive apenas na memória. Elas se reencontram, mesmo sem estarem olhando - necessariamente - uma para a outra. Quem as costura é o desejo, sobrevivido em palavras.
…
VIRGÍLIA
não exagera
Riane volta ao chão (RIANE - …) e de súbito de novo emerge.
VIRGÍLIA
tá querendo saber mais o quê
sobre o curso?
Paolo caminha entre os amigos e ergue o corpo latente e doído de quem, hoje ele sabe, de quem ele deveria um dia ter pedido um abraço. Manuela de pé surge aos gritos com Antonisia, que ainda em espasmos, vai surgindo desmanchada e imprecisa.
MANUELA
boicote, antonisia
boicote
...
Discursos na velocidade de luz. Que salta entre as duas mirando-as em escuridão e claridade. Alexandre salta da cova para dentro do mundo.
…
ALEXANDRE
licença, rapidinho
cês são a professora manuela?
…
Todos os corpos vão ao chão, exceto o de Paolo, que com alguma curiosidade, vê nos amigos a morte se espraiando. Luz azul iluminando a noite que acorda.
Rubricas Prólogo - Solstício
quinta-feira, 6 de março de 2014
Poema do Romance Teatro
Se eu pudesse escrever um longo poema
capaz de abraçar todo o mundo
Um poema de muitas línguas
feito por mãos distintas
que não só as minhas
Se eu pudesse escrever um poema
e nele pudesse transformar
estrofe em abrigo
verso em abraço
e rima em beijo
preciso e ritmado
Se eu pudesse escrever
um só poema
e nele fosse possível
devolver o medo
a cada peito
e a dúvida
a cada resposta dada
Se eu pudesse escrever poema
não como remédio
mas como sintoma
de que esse mal estar
faz parte do nosso corpo
faz parte desse tempo
e é
e sempre será
responsabilidade nossa
Se eu pudesse escrever a vida
sem segredos
e se eu pudesse com tantas linhas
e versos
ir costurando o corpo apartado
ir cosendo de volta
o preto
no branco
com o vermelho
fazendo rosa escuro e claro
Se eu pudesse um poema
para conviver a diferença
Poema lágrima
que desespera
e acalenta
Poema morte
que germinasse
de volta
as cinzas
a cada vento
Se eu pudesse escrever um longo poema
desses
Ele sem dúvida alguma
seria um romance
e se chamaria Teatro.
segunda-feira, 3 de março de 2014
manuelina
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Descrição de paisagem
1 interna - arquitetura óssea, sanguínea, muscular, orgânica
2 "real" - o que vejo diante dos meus olhos, o "espaço"
3 a descrição do estádio maracanã (formas, números, texturas, cores, etc)
4 descrição da memória daquele teatro, lembrar (localizar no espaço) cenários, acontecimentos ficcionais, atores
5 a descrição da rua, do entorno urbano, engenharia do trânsito, números de linhas de ônibus, lambe-lambes, nomes de lojas, etc
6 descrição de lugares com nomes indígenas
7 a paisagem em ruína
por marina,
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Glorinha (Maria da Glória)
Por Laura Nielsen
Experiências que me abriram o olhar e me proporcionaram uma tomada de consciência:
- Aos 10 anos, por ser uma criança muito bagunceira e conversar muito durante as aulas, fui punida. A coordenadora do Colégio São Vicente, onde eu estudava, me trocou de turma. Fui separada das minhas amigas e caí numa sala onde não conhecia ninguém, e todos me olhavam com desconfiança. Sofri demais!! Acho que pela primeira vez na vida me senti completamente solitária e inadequada. O sentimento de injustiça também foi enorme.
- Morte da minha avó. Acho que eu tinha uns 13 anos. Vi ela definhando de câncer. Uma imagem dela muito magrela, com a pele do rosto e da boca descamando e meio cinza, me marcou muito. Era a morte próxima. Ou a morte já presente, palpável.
- Morei um ano fora do Brasil. Acho que se fosse em qualquer parte do mundo já seria uma oportunidade de muita descoberta, por permitir um olhar distanciado do Brasil. Morei dos 17 para os 18 anos na Dinamarca. País gelado, com um dos menores índices de corrupção do mundo, onde tudo funciona perfeitamente. Mesmo! Eu, acostumada com a pobreza e a precariedade do Brasil, achei tudo bem impressionante!
- Com 18 anos, depois de algum tempo aprisionada no esporte (fui atleta na adolescência), larguei a natação e voltei a fazer teatro! Uma libertação! Descoberta do corpo, da poesia...
- Assisti “Romeu e Julieta” do Grupo Galpão e logo em seguida vi um show do Antonio Nóbrega, dois trabalhos que me emocionaram muito e me despertaram um enorme interesse pela cultura popular.
- Leitura do livro “Mulheres que correm com os lobos”. Um olhar super profundo sobre a sensibilidade feminina.


