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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

concreto armado 0




descrição de concreto armado 0

esqueleto

dia 2 de outubro, 14:30, praça cardeal câmara – lapa, rio de janeiro.

por que é preciso destruir o velho para que se crie o novo. por que é preciso quebrar o sólido até que o fragmento re-signifique. por que é preciso reconhecer quando um cenário já não pode dar conta do fazer artístico, seja por questões financeiras que assombram a concretização dos projetos culturais e artísticos no brasil e que não raramente inviabilizam sua continuidade, seja por que o teatro é fluxo, criação ininterrupta, obra em processo até o ultimo dia. e por vezes esse fluxo aponta outros territórios a serem explorados, uma mudança de direção, um re-fazer, re-pensar, re-criar diário. até onde determinada cenografia consegue adaptar-se às novas exigências que surgem ao longo de uma temporada? como uma cenografia pode acompanhar essa mudança constante, esse re-fazer-se da cena?

esqueleto: por que é urgente não permanecer. por que é necessário acentuar o risco. por que é preciso retomar as ruas. é preciso aliviar o peso para que se possa enfim respirar.

breve descrição: as 14:30 na praça cardeal câmara será traçado, com fita crepe, um circulo de 5m de diâmetro, que divido em 9 partes.
após isso, serão carregadas as partes do cenário armazenado no teatro dulcina até a praça. esse trajeto será feito 4 vezes: uma procissão, todos juntos, carregando os módulos. na última caminhada serão carregados os sacos de terra, o vergalhão, o lírio e os materiais da performance. podemos aceitar ajuda de passantes, devemos aceitar ajuda se oferecida.
depois que todos os módulos estejam na praça, o cenário será montado dentro da marcação de crepe. ao terminar, os módulos serão limpos e o vergalhão será fixado.
perto do cenário estarão dispostos todos os materiais da performance, como tintas,  ferramentas e pedras, que ficarão disponíveis para o livre manuseio dos passantes. a palavra “maracanã” será exposta em uma faixa na frente do cenário. neste momento, haverá um intervalo de 1 hora. a interação do publico espontâneo é sempre bem-vinda.
transcorrido esse tempo, as pedras portuguesas serão atiradas, marcando o início da destruição do cenário. essa destruição será feita de forma aleatória, com qualquer material e aberta para qualquer pessoa. só termina quando tudo o que restar sejam apenas fragmentos que caibam em sacos pretos de lixo.
por último, todos os destroços serão recolhidos e colocados dentro de 7 sacos plásticos, que devem ser grandes. eles serão dispostos lado a lado, com a faixa “maracanã” por cima, até que a comlurb recolha.

materiais do esqueleto:
- cenário de concreto armado, que é composto por 9 praticáveis de madeira, 1 vergalhão, 2 sacos de terra e 1 lírio da paz.
- 1 rolo de fita crepe
- 1 pano de chão e balde
- 1 vassoura
- martelos
- marretas
- serrotes
- pedras portuguesas
- tinta jet colorida
- formão
- canetas pilot
- 7 sacos plásticos grandes e pretos
- 1 pá
- 1 faixa branca

consideração final: roupas brancas para que se marque o suor, a poeira, os destroços. o tempo no final do dia. para que se imprima a destruição no corpo.

elsa romero

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

concreto armado i

 

concreto armado i

descrição de concreto armado i

correspondência capital

essa perfomance se realiza no trânsito epistolar entre cidadãos das duas cidades. pequenos bilhetes com desejos, conselhos, recados, revelações, notícias serão recolhidos em envelopes individuais e anônimos na praça da cinelândia, na antiga capital (rio) e na praça dos 3 poderes (em brasília). a performer abordará os passantes pedindo-lhes que escrevam um bilhete para a outra cidade e lhes explicará que isso faz parte da construção de sua performance (por ex.: "oi, com licença, eu tô fazendo uma performance lá no rio e preciso que vc escreva nesse papel e coloque nesse envelope um pedido ou um recado ou um desejo para a outra cidade..."). o rio ouvirá brasília e vice-versa, mesmo que só algumas poucas pessoas façam parte dessa rede.

cada cidadão que escrever uma carta ganhará um pedaço de giz como brinde.

a performance busca traçar e entrelaçar fragmentos de narrativas de duas cidades-capitais.

duas perguntas serão feitas:

qual o monumento da sua cidade que poderia sumir?

qual o monumento daquela outra cidade que poderia sumir?

marina vianna

sábado, 14 de dezembro de 2013

concreto armado ii


descrição de concreto armado ii

espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário

no dia 15 de dezembro de 2013, entre 10:00 e 12:00 horas, acontecerá em volta da estátua do carlos drummond de andrade; a saber: avenida atlântica na altura do posto 6 em copacabana/rio de janeiro; a solenidade de fundação do espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário.

o acontecimento é fruto do encontro entre o projeto de mestrado “ da rua para o palco: percursos e metodologia de uma invenção cênica” ( estudos contemporâneos da arte/ uff) e do programa de performances concreto armado.

o evento de fundação do espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário será aberto ao público transeunte, acontecerá sob sol (ou chuva) e será composto por uma série de ações simultâneas no território que circunda a estátua do nosso muito caro poeta drummond. 

a partir deste dia, no qual também realizaremos o solene momento de corte da faixa de inauguração, o micro território que se apreende do recorte feito pelas ruas julio de castilhos, av. rainha elizabeth, av. nossa senhora de copacabana e av. atlântica + a faixa de calçadão, areia e mar relativa a estas linhas, será compreendido como espaço propulsor de um cotidiano vivo, onde a utopia pode fazer morada e os sentidos poderão buscar viver de acordo com as ações.

mas viveremos

já não há mãos dadas no mundo.
elas agora viajarão sozinhas.
sem o fogo dos velhos contatos,
que ardia por dentro e dava coragem.
desfeito o abraço que me permitia,
homem da roça, percorrer a estepe,
sentir o negro, dormir a teu lado,
irmão chinês, mexicano ou báltico.
já não olharei sobre o oceano
para decifrar no céu noturno
uma estrela vermelha, pura e trágica,
e seus raios de glória e esperança.
já não distinguirei, na voz do vento
(trabalhadores, uni-vos...) a mensagem
que ensinava a esperar, a combater,
a calar, desprezar e ter amor.
há mais de vinte anos caminhávamos
sem nos vermos, de longe, disfarçados,
mas a um grito, no escuro, respondia
outro grito, outro homem, outra certeza.
muitas vezes julgamos ver a aurora
e sua rosa de fogo à nossa frente.
era apenas, na noite, uma fogueira.
voltava a noite, mais noite, mais completa.
e que dificuldade de falar!
nem palavras nem códigos: apenas
montanhas e montanhas e montanhas
oceanos e oceanos e oceanos.
mas um livro, por baixo do colchão
era súbito um beijo, uma carícia,
uma paz sobre o corpo se alastrando,
e teu retrato, amigo, consolava.
pois às vezes nem isso. nada tínhamos
a não ser estas chagas pelas pernas,
este frio, esta ilha, este presídio,
este insulto, este cuspo, esta confiança.
no mar estava escrita uma cidade,
no campo ela crescia, na lagoa,
no pátio negro, em tudo onde pisasse
alguém, se desenhava tua imagem,
teu brilho, tuas pontas, teu império
e teu sangue e teu bafo e tua pálpebra,
estrela: cada um te possuía.
era inútil queimar-te, cintilavas.
hoje quedamos sós. em toda parte,
somos muitos e sós. eu, como os outros.
já não sei se vossos nomes nem vos olho
na boca, onde a palavra se calou.
voltamos a viver na solidão,
temos de agir na linha do gasômetro,
do bar, da nossa rua: prisioneiros
de uma cidade estreita e sem ventanas.
mas viveremos. a dor foi esquecida
nos combates de rua, entre destroços.
toda melancolia dissipou-se
em sol, em sangue, em vozes de protesto.
já não cultivamos amargura
nem sabemos sofrer. já dominamos
essa matéria escura, já nos vemos
em plena força de homens libertados.
pouco importa os dedos se desliguem
e não se escrevam cartas nem se taçam
sinais da praia ao rubro couraçado.
ele chegará, ele viaja o mundo.

e ganhará enfim todos os portos,
avião sem bombas entre natal e china,
petróleo, flores, crianças estudando,
beijo de moça, trigo e sol nascendo.
ele caminhará nas avenidas,
entrará nas casas, abolirá os mortos.
ele viaja sempre, esse navio,
essa rosa, esse canto, essa palavra.
(carlos drummond de andrade)

caroline helena 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

especulando estruturas

8 quadros

sem linearidade

(tal qual VIDAS SECAS de graciliano ramos)

em contagem regressiva

(tal qual nossas AÇÕES PERFORMÁTICAS)

ordem épica

(des_montando a cronologia)

8_diogo

(a impressão do passado)

7_natássia

(a metaficção)

6_marina

(o telefone)

5_gunnar

(alegoria)

4_flávia

(manipulação temporal)

3_caroline

(surpresa)

2_andrêas

(fluxo de consciência)

1_adassa

(skaz adolescente)

---

só eu entendo este esqueleto (ou não).
o importante é que cada um deles é um encontro
no qual todos se revelam de novo
e novamente
tal qual VIDAS SECAS
quero dizer
cada encontro é uma aula
ministrada por um aluno
(pode-se apagar a formalidade aluno e professor?)

arena
tipologia espacial: arena
perspectiva em 360º
para não caber nos olhos

pode-se apagar a formalidade
em roda
a professora
misturada aos alunos

---

o meu quadro
vem em primeiro
porque não estarei em cena
para vivê-lo
(isso não justifica)
mas o que este primeiro quadro abre
é justamente a explosão
para o qual todos os outros quadros
parecem se dirigir a.

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contra a interpretação, susan sontag
causa-efeito
não
bom-ruim
não
belo-feio
não
sim-não
não
assim
não se sabe o destino destes personagens
porque só há o presente
e tudo é passível de ser agora
quem então faz a história?

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uma aula sobre história.
sobre o conceito de história.
sobre novela
clip
pós-modernismos
e afins

nunca fomos modernos

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A realidade enquanto ação dramática

Ontem fizemos o primeiro encontro voltado para a efetiva criação de nosso novo espetáculo. E, prezando aquilo que nos interessa, foi obviamente mais que um encontro, mas também uma comunhão de incômodos e um compartilhar profundo de pontos de vista acerca do mundo, de nosso ofício e de tudo aquilo que nos faz estar presentes em torno desta criação. Concreto armado nos surge enquanto saldo de um percurso. Não escrevo isso com intuito de situar esta criação dentro de uma trajetória a qual se deva fazer mesura. Não isso. Escrevo porque acredito que para compreender o instante é preciso sair dele e olhar de longe, com olhos de satélite. Há uma especificidade neste projeto que encanta e apavora, que seduz e traga ao fundo (profundo profícuo abismo).

Pela primeira vez, em cinco anos de trabalho voltado ao Teatro Inominável, eu me vejo desde o início - desde a primeira intuição (intuições de guerra) - mais colado com a vida em sociedade do que com algum simulacro seu, do que com alguma mera fantasia, ficção ou invenção. Não escrevo a partir de pressuposto de qualidade, valor ou coisa assim. Mas neste espetáculo o tema central que se espreita escorre vida afora, pelas ruas, jornais e por entre nossos passos e discursos. Como criar aquilo que me dá base e confere o tom dos meus dias? Como falar de algum discurso se o próprio discurso já se prendeu ao meu peito e a minha língua?

A sensação é única: desconforto. Puro e retinto, como noite sem estrela. Estamos querendo criar aquilo que mora antes de nós, que mora já no mundo. Então estamos falando de criação ou revolução? Os ânimos se exaltam e o dessabor ante ao mundo é capaz de minar também o desejo criativo. Percebem? Há uma sobreposição de desejos que se costuram e se repelem: a criação quer mudar o mundo (e o artista quer mudá-lo também). Dupla intenção. Excesso de literalidade (aquilo que fazemos é o que queremos fazer). Isso deveria ser bom, mas cega os olhos e fere a sensibilidade, porque o mundo anda doente e mexer nele nos evoca estado constante de febre.

Para falar do Rio de Janeiro, em ano de Copa do Mundo, eu preciso olhar de qual ângulo? Mas, se de onde eu olho eu me vejo também olhando, que distância pode me salvar da confusão que é se ver tanto artista quanto cidadão? Estas palavras me confundem e, ao mesmo tempo, são o sintoma nítido e nebuloso da minha confusão. Vamos tentar por outro começo.

O assunto que estamos falando não é o amor impossível entre Nina e Konstantin, tal qual Tchékhov especula em sua obra A gaivota (ele especula isso?). Não estamos falando do príncipe Hamlet e de sua Dinamarca envilecida. Nada disso. O nosso assunto é onde a gente vive, as nossas indagações antes de serem jogadas em sala de ensaio, já se estimularam pelo trajeto casa-nossa-até-sala-de-ensaio. Há um único lugar no qual se mistura vida e criação. Por isso talvez falemos tanto em performance, no já clichê (posto seja verdade concentrada) do aqui-e-agora. Percebam, o aqui e o agora são também o aqui e agora quando estivermos nos apresentando (ou melhor, quando estivermos sendo esta peça). Não há sequer diferença prevista entre hoje e o amanhã: estaremos sempre à prova, em cena ou fora, porque tudo é sobre o mundo, tanto a criação, quanto nossa existência. Há um único tempo: este agora no qual eu estou falando sobre a rua e criando suas dinâmicas noutro rumo, possivelmente imprevisto à ordem do dia.

Volto então as intuições minhas enquanto artista aqui neste Brasil de hoje. Faz muitos anos tenho me apegado mais e mais na força imensa que é a ficção. Se quero falar de mundo, falo então daqueles que - presos na minha história inventada - vivem o mundo (do qual quero falar). Tudo indireto, mas para chegar mais fundo e longe. Em uma de nossas peças, Como cavalgar um dragão, eu tentei escrever uma dramaturgia que pudesse oferecer a minha vida uma solução que eu não pude ter. Então a dramaturgia veio como invenção de um mundo no qual eu aprendesse junto - e com meus amigos - a sobreviver ao suicídio de alguém comum a todos nós. Em ficção, eu vivi uma parcela da minha vida que sequer aconteceu. Mesmo assim, aconteceu. E mais: repetidas vezes. E muito mais: sob muitos olhares que não somente o meu. Virou mundo e doação.

Fiquemos então na ficção. Nesta força imensa que é se especular enquanto outro possível. Tem uma coisa que só a criação artística pode fazer por nós: nos deixar frente a frente com a morte. Recriar, de forma deliberada e efetiva, outro tipo de encontro. Outro tipos de relação. Vida(s). Outros possíveis, tanto como impossíveis. Não há limite previsto. O impossível já está dado e tem hoje por nome realidade. Pois então vamos nos proteger no cobertor da ficção para que possamos dar conta desta vidinha amarrada a tenebrosos dias.

Eu queria e ainda quero muito contar a história específica dessa professora universitária e desses seis alunos. Mas isso não é tudo, porque é geral demais. Então, começo a pensar no que ela está fazendo agora, nesta noite de quarta-feira, meio quente, meio no meio do Rio de Janeiro, na janela, em casa, tomando uma coca-cola e fumando um cigarro. Quero pensar num dos alunos preso dentro de um ônibus engarrafado (como eu estive hoje durante mais de duas horas). Quero pensar no outro amando em desmedida e tentando se manter acordado sobre o texto que precisa ser lido até quinta (diferente de mim). É nessas minúcias que o homem enquanto ser se anuncia e desvela. Não quero falar do homem, quero falar dele e dela. Das unhas carcomidas e dos sonhos interrompidos (quais sonhos?). Dos pesadelos, medos concretos e abruptos. Quero falar da música que rodeia as orelhas e faz do mundo lugar mais ameno do que aparenta.

A realidade virou nossa ação dramática e, como tal, já sabemos, precisa ser reconstruída. Queria convidar vocês a entrar na sala de ensaio sem querer dar conta do mundo, mas apenas reféns da diferença que é o sumuadubo do nosso encontro. O mundo muda quando estamos reunidos, portanto, não vamos deixar o mundo estabelecido esmorecer a nossa potência.

Creio então que a nossa ação é dramática desde que estejamos juntos.

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Ao som de HAIM - Let Me Go (repetidas vezes):


domingo, 24 de novembro de 2013

concreto armado iii


descrição de concreto armado iii

grito

descrição (vai estar na primeira pagina do caderno, como instrução): esta ação é um desabafo. um grito seu, meu, nosso. eu já não posso mais. me calaram. as forças me calaram, as cenas, imagens, reflexões, noticias, impotência... a proximidade me cala.

o meu grito é através do seu. hoje você é quem fala por mim. pois então faça isso - grite! 

o que eu quero de você? seu desabafo. 

o que te afeta? qual sua indignação maior no cenário atual? pense no rio de janeiro, na situação política e social que estamos enfrentando, no lugar manipulador que a mídia ocupa, nos presos políticos, nas manifestações, na copa do mundo, na truculência policial, no governo, em toda a imundice que somos obrigados a enfrentar diariamente... 

permita-se escrever, ou quem sabe desenhar, rabiscar, fazer um origami, o que quiser. (pode ser uma carta, um bilhete, uma frase, uma palavra...).

eu, hoje, infelizmente não posso conversar com você. mas você pode conversar comigo. utilize as folhas desse caderno para isso. perdoe-me por não responder, mas tenha a certeza de que, ao entrar em contato com esse material, terei muito o que dizer. portanto, se assim desejar, deixe seu email para que possamos nos corresponder. eu te escreverei. 

permita também que outras pessoas tenham acesso a este caderno. ele é coletivo e será utilizado posteriormente para fins artísticos. não precisa se identificar, se não quiser. 

obrigada por acreditar em mim. obrigada por gastar seu tempo comigo. 

data: 26/11/2013 (terça-feira)
horário: a partir de 10h, permanecendo por 40 minutos em cada lugar.
locais: corredor da eco - ufrj / porta principal do shopping leblon / largo da carioca / del castilho (passarela do shopping nova américa) / hospital miguel couto / colégio municipal (?) perto da ufrj

materiais utilizados: um caderno pautado, inicialmente em branco, com o texto de descrição na primeira folha / caneta / uma mordaça preta / um cartaz dizendo "você não quer saber sobre isso"

vou chegar no local, vestir a camisa de escola municipal, me posicionar, colocar a mordaça e esperar.

obs: não posso me alimentar, beber líquidos ou usar o telefone enquanto estiver com a mordaça. no trajeto de um lugar para o outro isso será permitido. eu removerei a mordaça para me deslocar entre os locais escolhidos. tenho uma pausa para almoço quando achar necessário. 

taís feijó

Resposta a CONCRETO ARMADO VI - MANY[festa]AÇÃO

Ada ---

Minhas respostas estão virando colocações teóricas, mas juro, nasce tudo de algum arrepio que se conserva, desde o dia em que estivemos reunido em torno do estádio Mário Filho, o Maracanã. Creio, em primeiro lugar, que a sua ação performática anulou a noção que eu tinha de performance. Eu vou tentar me explicar:

ao invés de acontecimento estético, ao invés de um programa sendo seguido - por mais que tivesse sido planejado, não foi cumprido - houve uma tensão constante, como se fosse uma dramaturgia de linha, pequena, correndo o risco de sumir e nunca mais voltar. UM FINA TENSÃO, TAL QUAL FIO QUE PRENDE O BALÃO DE GÁS.

Depois, a presença da sua família, tornando mais real o que eu sabia que se pretendia não ser. Não se pretendia ser real? É onde me engano. Sua ação misturou as coisas e apaziguou tremores. Ao mesmo tempo, é estranho, estava tudo lá, na iminência. Eu fico, hoje, pensando em poética negativa, nessa ação de dizer uma coisa fazendo-a por meio de outra forma (não prevista).

Nós limpamos o coreto e fomos embora. Mas a coisa continuou presente em mim, sob forma de estranhamento. Eu não escrevo para validar, dar parabéns, dizer se gosto ou não gosto. Eu escrevo para estender até você (até vocês), a minha resposta mais sincera ao que foi compartilhado ali.

Acho inesquecível:
Estes dois trabalhadores enjaulados no Maracanã e você passando pelas grades doce da festa para eles.


Acho possível:
Fazer da cidade um pequeno set de gravação de si mesma, no qual se forjam outras realidades.


Por fim, o que encontrei: uma fina tensão guardada com afeta numa inocência qualquer.
Esta sua ação é modelo exato daquilo que seria propulsor de uma tragédia como a nossa.

---

sábado, 23 de novembro de 2013

Resposta a CONCRETO ARMADO VII - Natureza Morta


Gunnis ---

Eu não fui te ver. Eu lembro que estava ocupado com alguma coisa, mas, mesmo assim, lembro mais da minha preocupação com um projeto de ação cuja entrada - irrevogável - no seio da cidade fosse tão avassaladora. E tão espetaculosa.

Daí estava no computador e vi uma amiga, com quem não falava fazia anos, vi esta amiga postar uma foto tirada do alto de um prédio. Eis o print screen que fiz da foto no momento em que ela postou. Depois, seguiram-se conversas e explicações possíveis ao que fazia você estar ali, naquela situação desejada.


E mesmo que nada tivesse dado a sua ação algum sentido (possível, a quem desconhecesse se tratar de uma ação estética), ainda assim era você, fazendo comunhão com a cidade, elevando à enésima potência o encontro com a rua.

Depois eu recebi um telefonema da Natássia, meio que me pedindo ajuda, porque haviam jornalistas, fotógrafos e a coisa toda tinha se encaminhado para outro lugar. Daí eu fiquei me perguntando, como fazer para não transformar em capa de jornal/revista toda a nossa ira?

---

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Resposta a CONCRETO ARMADO VIII - Figuras Públicas



arrepio | coluna | violino | escrito | tudo isto


mais uma vez eu passo aqui, neste blog, para deixar algumas coisas que estão me perseguindo. no mês de outubro, por conta da inominável ocupação que o teatro inominável fez no teatro glaucio gill, aqui no rio de janeiro, fizemos uma das ações de concreto armado. e foi a minha. concreto armado IV, intitulada EMENTA.

por conta dela, como eu disse, muita coisa se firmou e firmou pacto comigo. eu tenho, pouco a pouco, firmado alguns lugares sobre este trabalho-precipício. e o mais firme é este da espinha dorsal sendo crispada pelo som do violino. é uma perseguição, o som sobre o corpo. o corpo e o som. e quase mais nada.

convidei a violinista carol panesi para jogar esta tentativa. não sabíamos nada. apenas que estaríamos ali, juntos, tramando o futuro (que ainda não veio).

Foto de Carolina Calcavecchia.

e eis que agora conseguimos firmar também nossa estreia para abril de 2014 aqui neste rio de janeiro. e eis que esse caderno ai em minhas mãos, na foto, guarda nele todo um projeto que está mais desenhado do que sempr esteve. não quer dizer que está pronto, mas as apostas, as chamadas fichas, já foram jogadas. e não há nada inédito a ser construído. o que vamos fazer daqui para frente é capturar novamente - e sempre - a possibilidade do arrepio.

escrita do arrepio. violino na coluna.

outro dia imaginei que cada um dos atores estará munido de um violino. e que a cena é esse desarranjo.

que a cena é esse perigo.

grau zero da encenação, lembra? eu lembro.

escrever para esquecer. para lembrar. romance.

sábado, 12 de outubro de 2013

descrição de concreto armado iv

ementa

rio de janeiro, 12 de outubro de 2013

hoje é dia das crianças. e daqui a três dias é comemorado o dia do professor. é curioso que estas datas estejam assim tão próximas. talvez não se fale muito sobre isso, sobre o fato de estarem tão próximas, essas duas datas. mas me chama a atenção. achei melhor escrever a vocês. minha ação para este nosso projeto em construção será sobre aquilo que meu olhar vislumbrou após gastar a história da explosão do maracanã. eu desejo falar sobre a educação brasileira. eu preciso falar sobre isso. falar sobre a educação, via teatro, é aproximar o meu ofício daquilo que acredito ser a sua função.

em novembro de 2011, após a noite de estreia de sinfonia sonho, voltando para casa, eu passei – como sempre passo – pelo estádio mário filho, o maracanã. eu estava angustiado e surpreso, ainda com a lembrança fresca de algum horror que sinfonia havia trazido à vista daquelas pessoas que tinham nos assistido. eu estava me sentindo responsável e – ao mesmo tempo – irresponsável. irresponsável por não ter sabido – com antecedência – que é muito sério esse negócio de fazer teatro.

então, cruzando o maracanã, já em obras para a copa do mundo, eu desejei acentuar o risco da coisa toda, eu desejei falar sobre aquilo que pudesse me ser ainda mais complexo e algo cujo tamanho eu não pudesse abraçar. eu quero correr o risco de ser irresponsável, para descobrir a real necessidade de ser responsável. eu desejei tudo isso e é isso que me coloca aqui, neste agora, quando nós, sentados nesta sala meio suja, meio feia, meio em obra, compartilhamos mais e mais desejos. eu desejo. eu não luto contra o meu desejo. eu dou as mãos a ele e vou inteiro, porque essa é a minha maneira de ser performance. seguindo o roteiro de minhas pulsões.

quando algo me fascina, quando algo me arrebata, eu perco – no exato instante da fascinação – o poder de atribuir sentido àquilo que vi. aquilo que me fascinou abandona a sua natureza sensível, abandona o próprio mundo e mesmo distante do mundo, ainda me atrai, envolvendo-se numa presença estranha ao presente do tempo e à presença no espaço. a possibilidade da fascinação me brinda, no seu exato instante de seu acontecimento, com uma cisão: da possibilidade de ver aquilo que me fascinou, tal objeto do fascínio transmuta-se em impossibilidade, no próprio seio do meu próprio olhar, ainda arrebatado. assim, o meu olhar encontra naquilo que fez nascer o meu fascínio alguma força, um poder, que o neutraliza, que não o suspende nem o detém mas, pelo contrário, que o impede de jamais terminar o ver, que o impede de jamais terminar de olhar; corta o olhar de todo e qualquer começo e faz dele um clarão neutro extraviado que não se extingue nunca mais. eis aqui a essência da minha solidão. o fascínio é o olhar da minha solidão, o olhar do incessante e do interminável, em que a minha persistência, a minha cegueira, ainda é visão; visão que já não é possibilidade de ver mas justamente impossibilidade de não ver, a impossibilidade que se faz ver, que persevera – sempre e sempre – numa visão que não finda: num olhar morto, olhar convertido no fantasma de uma visão eterna.

aqui estou eu, olhando.

é sobre o olhar essa coisa toda. o olhar da consciência. é sobre um olhar que num dado instante viu alguma coisa que nunca mais pode desver. coisa esta que ficou tingida com tinta invisível em retina fina, porém persistente. eu preciso falar desse desejo que não quebra, desejo de mudança que mesmo sem saber como, se fará ação e se efetivará no seio do mundo; mudança tornada possível.

minha performance acontecerá no palco do teatro glaucio gill, em copacabana, integrando a ocupação que o teatro inominável fará em comemoração aos seus cinco anos de trabalho. a performance acontecerá no dia 24 de outubro, quinta-feira, de 17h às 18h. a entrada será franca. e o público entrará na sala de espetáculos a partir de 16h45 para que, pontualmente às 17h, tenha início a performance.

quando vocês entrarem na sala de espetáculos, vão se acomodar na platéia. eu estarei na cabine, aguardando que todos se acomodem para apagar todas as luzes. quando tudo se apagar, ninguém mais entra na sala. eu acenderei um refletor para revelar um pedaço de uma coluna de vergalhões, posicionada sobre o chão de madeira do palco; em seguida, acenderei outro refletor para revelar quatro pedaços de vergalhões soltos, posicionados sobre o chão de madeira do palco; em seguida, acenderei outro refletor para revelar um violino e suas quatro cordas, posicionado sobre o chão de madeira do palco. eu descerei as escadas e chegarei até o palco.

eu trarei ao palco uma violinista convidada a me acompanhar nesta experiência. ela estará sentada na primeira fileira, tendo em mãos um caderno e um arco, para tocar seu violino. a violinista buscará – sem combinações ou ensaios prévios – a vibração do fascínio nervoso que se enraizou no meu olhar no dia em que passei pelo maracanã.

lado a lado, posicionados sobre o palco de madeira, eu e a violinista falaremos simultaneamente, porém cada qual com sua língua. eu com palavras, ela com fricções agudas, brilhantes e estridentes, eventualmente aveludadas. falaremos juntos. fala sobre fala. ela acompanhando o meu nervoso e eu nos nervos dela buscando abrigo; estrada.

falarei usando palavras. tal como agora eu estarei lendo. lendo sobre o que eu sei sem saber. sobre o que eu tenho sem ainda ter. sobre o amor que tenho por todas as existências deste mundo que dia após dias são mais e mais violadas. eu tenho um caderno em branco, dentro da primeira gaveta da minha mesa de cabeceira. ele está ali no quarto e será, pela primeira e única vez, inteiramente usado. neste caderno, que a violinista estará segurando e que me entregará quando vier ao palco, eu vou dar voz ao meu olhar.
minha ação tem por nome ementa. do dicionário priberam da língua portuguesa:
e·men·ta
(derivação regressiva de ementar)
substantivo feminino
1. breve apontamento para lembrança.
2. sumário, resumo.
3. lista; rol.
4. comemoração por defunto.
5. lista de pratos de uma refeição.

no caderno, escreverei todas as páginas dividindo a escrita em cinco capítulos criados a partir das cinco acepções da palavra ementa. eu vou terminar essa minha leitura-fala, vou me dirigir ao quarto, pegar o caderno e pedir que cada um, escolhendo uma aleatória página, escreva-me uma palavra. e então minha performance terá começado. tenho treze dias para escrever aquilo que lerei ininterruptamente sobre o palco.
eis o planejamento dos cinco capítulos a partir das cinco acepções já apresentadas:

1. breve apontamento para lembrança.
sobre aquilo que não pode mais continuar esquecido: a educação. sobre esta professora.

2. sumário, resumo.
com as etapas de uma consciência que se descobre em crise e que racha, clamando por transformação. sobre a crise de consciência desta professora.

3. lista; rol.
com possíveis respostas à realidade, possíveis ações para tentar negociar com a cegueira e indiferença que assola o presente momento. sobre as possibilidades de diálogo com a realidade do rio de janeiro dos dias atuais.

4. comemoração por defunto.
por se reconhecer já vencido, violado e sucateado, faz-se então desta pobreza a arma capaz de atravessar o capital instaurado. cheirar o cabelo da morte impulsiona a vida.

5. lista de pratos de uma refeição.
dos ingredientes necessários para efetivar a potência viva em cada uma dessas manifestações. o amor nascido do encontro de algumas diferenças. o concreto armado que sustenta arquibancadas e prédios apenas porque agrega em si ingredientes muito distintos.

e então minha ação acaba. minha ação não estará nas ruas, mas dentro de um teatro. minha ação não desdobra os temas da copa do mundo, mas sim a planície oprimida sobre a qual se constroem tantos estádios. minha ação não é uma performance, mas uma performance escondida dentro de um curto espetáculo. eu ainda não sei o que fazer com este projeto, por isso sigo muito confiante nessa perdição: ela esconde algum abismo escuro e dourado. o que posso oferecer são minhas vísceras. aqui dentro eu tenho uma ópera, uma tragédia, um super herói, uma copa do mundo, um épico, uma performance, uma cidade, um corpo, um violino, uma arquitetura, uma arena, uma ficção, uma história, uma educação, uma revolução, um social, um terrorismo, um romance, amor. aqui dentro eu tenho amor e, pela primeira vez em mim, tenho uma pulsão desmedida por aquilo que eu ainda não sei nomear, mas que me acaricia o corpo e a alma, insistentemente. o que tenho quer chegar até vocês.

por isso, fechem os olhos, por favor. e se coloquem no lugar dela.

porque hoje ela está cansada como nunca esteve até agora. suas olheiras viraram a cor da pele que lhe cobre o rosto carcomido por tanta interrogação. ela está de pé. sentada. ela está de pé. e, de novo, está sentada. ela diz sem proferir palavra que é paga para educar. ela sabe disso. ela reconhece ser paga para educar. mas na beira dos seus lábios, escorrega a suposição de que essa educação tal qual a pagam para ensinar, essa educação virou mentira faz tempo. na beira de seus lábios entreabertos, a certeza da mentira dessa educação sucateada lhe planta uma granada sem pino. então ela fecha os olhos e se deixa morrer: por ter-se descoberto alguém comprada para ensinar aquilo que nunca acreditou. ela abre os olhos. e vocês também, por favor.

um silogismo é um termo filosófico com o qual aristóteles designou a argumentação lógica perfeita. um silogismo é constituído por três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. exemplo: eu sou paga para educar; educar é uma mentira; eu sou paga para mentir.

giz. luz de giz. som de giz. ar sufocado de giz.

não há nada mais sujo, mais injusto, mais escroto do que encher a barriga à custa da burrice do outro. as minhas mãos! nada mais doloroso do que ver a cegueira alheia e sentir pena de si próprio por ainda se achar lúcido. sujeira. nas minhas mãos! até agora eu não conhecia nada tão obscuro, maldoso, tão perdidamente escroto. nada tão tremendamente horrível, eu não conhecia nada tão sem palavras para dar conta dessa escuridão desse abismo desse monstro que nasce e cresce e só come e só vira mais monstro, mais rombo mais brusco mais risco quina sangue e abuso. mais usura. mais acne. mais suor e sono. mais tv e panetone. mais medo. mais nojo. as minhas mãos! eles sabem que eu sei! eles sabem que podem seguir se usando da burrice alheia. e da minha! e sabem que eu sei que a burrice só cresce. e que, no entanto, eu sou paga para diminuir isso que eles alimentam mais e mais a cada dia.

asfixia.

a burrice é a cama onde eles deitam os pés sujos todos os dias. quanto mais, melhor. quanto mais burro, melhor. melhor. quanto mais burro for seu povo, mais nobre será a sua falsa preocupação em cuidar do futuro. que não virá. que não veio. e, no entanto, nos tapeiam. fazendo de mim alguém contratada para atingir o impossível. querendo que eu crie em sala de aula seres capazes de lidar com o cinismo.

febre. e delírio.

e se eu fizer um exército? e se eu formar assassinos? ao invés de crianças? ao invés de alunos? serei presa ou serei justa? serei errada ou brilhante? eu sigo suja, sabendo da nojeira e ensinando estrelas. confiando na poesia quando vejo nas esquinas, as minhas crianças perdendo seus narizes e cabeças! eu tentando dar conta daquilo que já me disseram que não vai ser possível! como pôde, meu deus?! como eu pude um dia ter me servido a isso? quando foi? que eu abri os olhos nessa envergadura que já não posso mais fechar? como eu pude ver meus sonhos – tão sinceros – virarem mentiras? as minhas mãos! tremem tentadas à truculência. eu quero premer. quero apertar e romper. quero, se possível, hoje, fazer pacto com o demônio para que ele me impulsione ao extermínio daqueles que querem me exterminar com dentição pintada em doçura fingida.

eu vou buscar o caderno e uma caneta. e, em silêncio, peço que cada um – aleautorizando uma página do caderno – escreva nela uma palavra. uma palavra que tenha ficado presa na ponta de seus olhos.

diogo liberano

domingo, 22 de setembro de 2013

concreto armado v



descrição de concreto armado v

utilidade pública

nome: utilidade pública
local: praça seca
data: 23 de setembro de 2013
horário: primeiro turno - 10:00 / 12:30
segundo turno - 13:30 / 16:00
(terei um intervalo de uma hora, no qual eu permanecerei no lugar)

materiais utilizados:
2 cadeiras dobráveis de ferro
1 gravador
1 máquina fotográfica
1 prancheta
2 canetas
50 autorizações de uso de imagem e de som
50 fichas de cadastro
1 placa feita de papel cartão com o texto: "sobre você"

vestimentas: tênis, calça jeans e blusa lisa.

descrição: estarei sentada com a placa "sobre você" exposta até que alguém pare para falar comigo. conduzirei a pessoa a se sentar na cadeira que estará na minha frente. explicarei brevemente do que se trata e pedirei permissão para gravar a conversa. no final da conversa pedirei para tirar uma foto da pessoa e pedirei, também, que ela assine as autorizações de uso de imagem e som. se eu não obtiver permissão para gravar eu continuarei a conversa normalmente.

sobre: tentar criar junto com cada pessoa que se sentar comigo um projeto de lei que favoreça exclusivamente à pessoa em questão. a proposta é tratar cada indivíduo como exceção dentro da sociedade civil.

natássia vello