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terça-feira, 19 de novembro de 2013

E se...

Voltamos então a Stanislavsky, ao seu jogo.
Parece-me que se a dramaturgia num todo deseja ultrapassar a denúncia e oferecer proposições de mundo, então me parece ser determinante jogar com o SE, com as possibilidades.
Nunca antes a dramaturgia me pareceu tanto como um projeto de mundo. A dramaturgia, talvez - e com sinceridade - pela primeira vez será integralmente aquele papo de (não o que somos nem o que fomos, mas) aquilo que ainda não conseguimos ser.
Eu fico especulando esses sonhos e só mesmo aqui, em criação, o possível e o impossível se tornam vizinhos e potenciais amigos. O mundo quando posto em criação é mais capaz.
Se a truculência tal qual aquela que legisla o nosso mundo é aquilo que desejamos deter, então eu preciso me perguntar e daí?
O que virá sobrepor-se ao que temos?
?..
E se explodirmos um estádio?
E daí?
?..

Especulações.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Resposta a CONCRETO ARMADO VIII - Figuras Públicas



arrepio | coluna | violino | escrito | tudo isto


mais uma vez eu passo aqui, neste blog, para deixar algumas coisas que estão me perseguindo. no mês de outubro, por conta da inominável ocupação que o teatro inominável fez no teatro glaucio gill, aqui no rio de janeiro, fizemos uma das ações de concreto armado. e foi a minha. concreto armado IV, intitulada EMENTA.

por conta dela, como eu disse, muita coisa se firmou e firmou pacto comigo. eu tenho, pouco a pouco, firmado alguns lugares sobre este trabalho-precipício. e o mais firme é este da espinha dorsal sendo crispada pelo som do violino. é uma perseguição, o som sobre o corpo. o corpo e o som. e quase mais nada.

convidei a violinista carol panesi para jogar esta tentativa. não sabíamos nada. apenas que estaríamos ali, juntos, tramando o futuro (que ainda não veio).

Foto de Carolina Calcavecchia.

e eis que agora conseguimos firmar também nossa estreia para abril de 2014 aqui neste rio de janeiro. e eis que esse caderno ai em minhas mãos, na foto, guarda nele todo um projeto que está mais desenhado do que sempr esteve. não quer dizer que está pronto, mas as apostas, as chamadas fichas, já foram jogadas. e não há nada inédito a ser construído. o que vamos fazer daqui para frente é capturar novamente - e sempre - a possibilidade do arrepio.

escrita do arrepio. violino na coluna.

outro dia imaginei que cada um dos atores estará munido de um violino. e que a cena é esse desarranjo.

que a cena é esse perigo.

grau zero da encenação, lembra? eu lembro.

escrever para esquecer. para lembrar. romance.