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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Banco de Material Emergido das Improvisações - segunda, 13 janeiro 2014 (Tema: Primeiros Contatos)

improvisações segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cena - Riane e Virgília, primeiro contato

Riane na sala de espera da secretaria da faculdade. Virgília chega e se senta.
elas em algum momento se percebem. um olhar. nada.
Virgília, após curta espera, faz menção de se dirigir ao balcão. Riane, prontamente

R - Oi, é, é que eu sou a próxima

Virgília, tranquila

V -  tudo bem, só ia  fazer uma pergunta

Riane se desculpa.

R - é o calor. e a espera. desculpa.
V - tudo bem

tempo

R - é pós ?
V - oi?
R - se é pra pós que você...
V - ah, sim, é
R - arquitetura e urbanismo?

elas começam uma conversa sobre o que estão ali para fazer. a certa altura o papo morre. tempo. Riane retoma, sabe-se lá por que cargas d’água, comentando da pesquisa da Manuela e terminando com um

R - ela é massa.

Virgília, sabe-se lá por que cargas d’água, demonstra algum interesse.

V - bem legal, vou dar uma sondada

chega a vez de serem atendidas e Riane diz

R - pode ir, faço questão

Virgília resiste charmosa, mas, enfim, aceita.

V - a gente se vê, então

R - é, a gente se vê



Cena - Manuela e Alexandre, primeiro contato

Manuela está na sala, onde acaba de ter estado em reunião tensa, (pode ter sido justo a reunião em que ela tentou argumentar sobre o desfalque no processo da sua bolsa), meio puta, arrumando suas coisas pra sair, ou procurando alguma coisa de que tenha sentido falta dentro da bolsa (bolsa mesmo, de guardar as coisas). Do nada, Alexandre aparece na porta, sem cerimônia alguma, por engano, pergunta se é ali que vai ser a reunião xxxxx.
Manuela diz que não, que não sabe nada a respeito.

A - obrigado.

Sai.

Manuela continua ali, enrolada com sua busca na bolsa.

tempo.

Manuela irritada desiste, bufa. “foda-se. vou fumar um cigarro.” encosta a porta. adulto fumando escondido. pega o cigarro na bolsa, o isqueiro. vai pra janela. quando ia botando o cigarro na boca, susto com a volta de Alexandre, falando ininterruptamente:

A - Desculpa, mas não é você que é  a Manuela? que deu aula pra xxxxxxx não sei quando? cara, eu ouço muito falar de vc, fulano meu amigo falou de você, cicrano meu amigo falou de você, falaram bem, né, claro, imagina se eu/ engraçado, cê me lembra tanto aquela atriz…

M - (sim, joguei pedras na cruz) é mesmo? que atriz?

A - gente, aquela do… vários filmes, aquele do… enfim… nossa, tá aqui assim, daqui a pouco vem,

(vai falando sem o menor feeling de que pode estar interrompendo a solidão de alguém que a desejava muitíssimamente. Manuela ouve o menino, incrédula, pensando cá consigo mesma: “já vi que hoje é dia”)

A - [...] e pelo que eles me disseram eu acho que tem tudo a ver com um estudo que eu tô fazendo agora sobre xxxxxxxx, pesquisando um pouco dessa coisa da vivência do espaço em situações de xxxxxxx,  etc, xxxxxxxxxxx, como eu tô entrando agora na Pós - cê dá aula na Pós, né?, pois é, beltrano também me comentou - eu pensei se, não, sei lá, podia assistir alguma aula tua, assim de ouvinte mesmo, sem compromisso, xxxxxxxxxx, ou se então a gente não poderia xxxxxxxxx, sabe? que esse semestre eu, assim, tô, quero entrar pra matar, sabe? tipo, quê que cê acha?

Longo silêncio de uma Manuela perplexa. a falta de tato do despejo verbal de Alexandre extrapolou tanto os limites do aceitável que terminou por conseguir sê-lo, `a sua maneira.

M - Qual seu nome?

A - Ah é, pô, esqueci, é Alexandre, meu nome, Alexandre

M - Olha: Alexandre. eu passei hoje aqui duas horas, nessa mesma sala tendo que lidar com muitas pessoas, como dizer?, pessoas... sem noção, e eu realmente não pensei que eu poderia ver algo tão similar ou até pior em tão curto espaço de tempo.

A - (o sorriso congela)  …? (será que eu saio? cavo um buraco? morro?)

M - No entanto. (tempo. Manuela refaz sua própria lógica em sua própria cabeça) Bom, tá na chuva, né… Eu vou começar uma pesquisa… agora não tô muito com cabeça pra falar. cê vê lá na grade e se você se interessar encaminha um pedido até amanhã na xxxxxxxxx.

A - pô, nem sei o que dizer, incrível, claro, vou, vou sim, eu/

M - agora cê me desculpa, Alexandre, eu preciso muito dar um telefonema.

A - Claro, claro, não, pô, magina. Valeu, Manuela, brigado.

Sai

Manuela sozinha.respira. tempo. “isso aconteceu?”
calmamente retorna ao cigarro escondido na mão desde a entrada de Alexandre. se aproxima da janela outra vez. vai acender o cigarro. Alexandre, na porta reaparece, súbito

A - Fanny Ardant!!! viu? lembrei. era Fanny Ardant. (matreiro e galante) já pode fumar o seu cigarro, professora. até mais. té daqui a pouco.



Cena - Eleonora e Paolo, primeiros contatos

Paolo preenchendo documentos na secretaria. CPF, comprovante de residência, certificado disso e daquilo; não vê Eleonora que acaba de entrar. ela o vê, chega por trás e tampa seus olhos, na velha brincadeira

P - quem é?

E - Eu não te vejo há não sei quantos anos, você nunca devolveu aquele meu livro do Foucault, você nunca mais me ligou, o que tudo bem porque eu também não, eu acho que vc não tem Facebook porque não é possível ser tão difícil assim falar com uma pessoa em 2014, se bem que é a sua cara não ter Facebook, teu filho deve tá enorme, eu sinto saudade dele também, xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

P - E quando foi que vc começou a fumar, Eleonora?

eles se abraçam. na euforia do encontro. e o que vc veio fazer aqui, e a pós, e a vida, a Marília, o Danilo, e seu pai, e tudo, e - a Marília faleceu.

e abraço.

e silêncio, e tentar recomeçar o assunto depois de uma dessa. e a pesquisa da Manuela, e se inscreve também você, tem uma grana, vai que a gente estuda junto, só assim mesmo pra conseguir te ver, e vou ver, pode ser uma boa, e foi muito bom te ver, nossa, e foi muito bom ver você também, e você tá tão bonito, envelhecendo bem, e você é que tá bonita, aliás sempre foi, e vamo combinar de tomar um café, e pode ser gelado?, e pode ser chope em vez de café? e anota o meu telefone, e anota você o meu.







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