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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Meu trabalho é a arma do manifestante, aponta Latuff

fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=143329


JC – Depois, os manifestantes foram divididos entre os bons manifestantes, os black blocks e os saqueadores – oriundos das favelas. A periferia acabou rechaçada?

Latuff 
– Se as manifestações não forem hábeis em trazer essa militância da favela, não vão adiante. O segmento mais massacrado e vitimado por esse sistema em que as pessoas vão para a rua combater é o das favelas. A imprensa tem um tratamento específico quando a manifestação é na favela: “é manifestação controlada pelo tráfico”. Claro que tem dois tipos de manifestantes: o bom e o mau. Quando o manifestante vai para a rua, queima pneu, tranca a via, desce a favela e o morro, vira carro, “é o tráfico que está junto”. E existe o manifestante “coxinha” da favela, que é do Viva Rio, Afroreggae e Cufa. Esse ativista, que é correio de transmissão das políticas do Estado, é o bom ativista. Não se pode imaginar um processo de transformação que não tenha a favela. Costumo sempre dizer: “no asfalto a bala é de borracha, na favela é de chumbo”. As favelas são territórios de exclusão muito especiais. Estive em várias, fiz ensaios fotográficos. Um em particular é a essência desse processo da chamada guerra contra as drogas. Em Acari, ia andando e tinha buracos, rombos pelo chão, no concreto. Me falaram que aquilo era tiro do helicóptero, jogado de cima. A polícia do Rio de Janeiro tem uma arma igual ao que o Exército norte-americano usou no Vietnã. 

JC – Porque a militância da favela não cresce?

Latuff
 – Tem três coisas que impedem de avançar. Uma é o tráfico. Porque o tráfico, no momento em que ele tiver que escolher entre o manifestante e o Estado, ele vai topar o Estado. O traficante não é um revolucionário, é um comerciante e só existe por força do Estado. Ele não é um revolucionário de esquerda. As armas que chegam na mão dele, a droga, não é um avião que joga de cima com um paraquedas. O segundo são as igrejas evangélicas. Na favela tem igreja evangélica em cada buraco e ela está ali para formar cordeiros que abaixam a cabeça. O terceiro são as ONGs, que estão lá também para formar neguinhos dóceis. Negros e favelados dóceis que acreditam que um dia, se trabalharem muito, chegarão lá. É por isso que existe uma tensão tão grande na favela. Porque o establishment sabe que as favelas são bolsões de revolta social.

JC – A ideologia da nova classe média contribui para isso? Ela individualiza o problema que é social?

Latuff
 – Este regime que a gente vive trabalha com a sensação. Você tem sensação de democracia, sensação de cidadania, mas não existe. Claro, evidente que o pobre tem direitos de comprar bens de consumo, é bom que ele tenha essa possibilidade, ninguém discute isso. Mas o que define a cidadania não é o fato de comprar um celular novo, é o de ter serviços públicos de qualidade. Afinal de contas, estes favelados também pagam impostos e têm os mesmos direitos. Mas o regime capitalista funciona pela exclusão. Não posso cobrar do regime capitalista que ele seja includente. Ele é excludente por natureza, trabalha com o regime de classes. Tem que ter uma classe que gasta e outra que banca o gasto. Uma classe que é patrão e outra que é empregado. Não adianta tentar mudar o capitalismo. Não dá. É preciso dizer isso claramente. Não é reforma que a gente precisa é de uma mudança.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rio de Janeiro: Favela do Esqueleto

Rio de Janeiro: Favela do Esqueleto: Favela do Esqueleto Favela do esqueleto

a favela do esqueleto surge na época de construção do maraca

http://oriodeantigamente.blogspot.com.br/2011/01/uerj-favela-do-esqueleto-foi-uma-favela.html

pouco a pouco


Concreto armado
Diogo Liberano
Keli Freitas






O que nos fascina, nos arrebata o nosso poder de atribuir um sentido, abandona a sua natureza “sensível”, abandona o mundo, retira-se para aquém do mundo e nos atrai, já não se nos revela e, no entanto, afirma-se numa presença estranha ao presente do tempo e à presença no espaço. A cisão, de possibilidade de ver que era, imobiliza-se em impossibilidade, no próprio seio do olhar. Assim, o olhar encontra naquilo que o torna possível o poder que o neutraliza, que não o suspende nem o detém mas, pelo contrário, impede-o de jamais terminar, corta-o de todo o começo, faz dele um clarão neutro extraviado que não se extingue, que não ilumina, o círculo, fechado sobre si mesmo, do olhar. Temos aqui uma expressão imediata dessa inversão que é a essência da solidão. O fascínio é o olhar da solidão, o olhar do incessante e do interminável, em que a cegueira ainda é visão, visão que já não é possibilidade de ver mas impossibilidade de não ver, a impossibilidade que se faz ver, que persevera – sempre e sempre – numa visão que não finda: olhar morto, olhar convertido no fantasma de uma visão eterna.

BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. Rio de Janeiro: Rocco, 2011. P.24.


Espaço e tempo da ação
Cidade do Rio de Janeiro, Brasil, durante os sete primeiros meses do ano de 2014.


Personagens
Alexandre [Gunnar Borges]
Antonisia [Caroline Helena]
Eleonora [Natássia Vello]
Manuela [Marina Vianna]
Paolo [Andrêas Gatto]
Riane [Adassa Martins]
Virgília [Flávia Naves]

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Revista Arquitetura & Aço – Edição Especial Copa do Mundo 2014

Última atualização em 18/01/2010
Titulo: revista-aa-especial
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"Maracanã encolhe, mas ganha inovações e sustentabilidade"

29 de junho de 2011

Construído há 61 anos, estádio passa por reformas para a Copa do Mundo de 2014, que vão consumir 31 mil m³ de concreto e 250 mil sacos de cimento

Por: Altair Santos

Entre 2 de agosto de 1948 e 16 de junho de 1950, período que levou para ser construído, o Maracanã consumiu 550 mil sacos de cimento e 80 mil m³ de concreto. Passados 61 anos, o estádio está em obras novamente – desta vez, para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. A nova reforma, segundo a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), vai consumir números mais modestos de cimento e concreto. Mesmo assim, não deixam de ser impressionantes: 31 mil m³ de concreto e 250 mil sacos de cimento.


Arquitetos Miguel Feldman e Antônio D. Carneiro, que conceberam o projeto original do Maracanã, observam maquete do estádio em 1947

Todo esse volume de material será aplicado para transformar o Maracanã em um dos estádios brasileiros com o maior número de inovações. Além das mudanças preceituadas pela Fifa, o palco da final do mundial de 2014 terá mudanças em sua estrutura. A marquise de concreto, por exemplo, será substituída por um sistema de lona tensionada. “A nova cobertura terá condições de luz mais uniforme e flexibilidade plena para a instalação de equipamentos, além de contemplar a totalidade dos assentos”, explica o presidente da Emop, Ícaro Moreno.

Quando totalmente reformado, o Maracanã terá capacidade para receber 78.639 torcedores. Vai comportar cerca de 100 mil pessoas a menos do que o recorde de público oficial do estádio, registrado no jogo Brasil 1 x 0 Paraguai, dia 31 de agosto de 1969, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970. Na época, 183.341 superlotaram o Maracanã. “A prioridade será o conforto. A nova arquibancada garantirá maior visibilidade para todos e os assentos retráteis permitirão uma melhor circulação dos torcedores”, justifica Ícaro Moreno.

O Maracanã também ganhará arquibancadas que deixarão o público mais próximo do campo de jogo. O projeto da reforma prioriza visibilidade, mobilidade e acessibilidade nas dependências internas e no entorno do estádio. A distância do gramado, por exemplo, passará dos antigos 56 metros para 12 metros. “Todas as mudanças propostas no projeto foram aprovadas pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)”, revela o presidente da Emop. Por se tratar de um monumento tombado, a reforma do estádio precisou preservar a arquitetura do Maracanã.

Ícaro Moreno Júnior: “A prioridade do novo Maracanã será o conforto.”

A troca da marquise do estádio pelo sistema de lona tensionada só foi aprovada pelo Iphan depois da apresentação de laudos que mostraram que a estrutura antiga não suportaria o impacto das obras. “A marquise foi condenada por laudos de órgãos nacionais e internacionais. A estrutura que irá substituí-la terá durabilidade de 50 anos e garantia de 15 anos. Além disso, terá um sistema de captação de água da chuva para irrigar o gramado”, explica Ícaro Moreno. Por conta dessas inovações, as reformas do Maracanã estão adequadas à certificação LEED (sigla em inglês para liderança em energia e design ambiental) protocolo concedido às edificações sustentáveis.

Para ser concedida, a certificação LEED exige que, quando concluída, a reforma do Maracanã gere 30% de economia em energia, 50% de água, 60% de resíduos e 30% nasemissões de gases de efeito estufa. Por isso, o estádio ganhará um sistema de aquecimento solar para equipamentos como as duchas dos vestiários. Além do estádio do Rio de Janeiro, outras cinco subsedes da Copa buscam o selo verde de construção sustentável: Manaus, Brasília, Cuiabá, Belo Horizonte e Salvador.

A previsão é de que o novo Maracanã esteja concluído até o início de 2013. Atualmente, 1.107 operários trabalham em dois turnos (um de 7h às 17h, outro de 19h às 5h). No pico da reforma, o que deve ocorrer em 2012, serão cerca de 3 mil homens se revezando na obra. Há mais de 50 anos, o estádio chegou a ter 11 mil trabalhadores em sua construção. A readequação do Maracanã para a Copa de 2014 está orçada em R$ 931.885.382,19.

Maquete virtual do estádio, para a Copa de 2014: selo verde e prioridade para visibilidade, mobilidade e acessibilidade

Você sabia?
O projeto original do Maracanã foi concebido pelos arquitetos Miguel Feldman e Antônio D. Carneiro, em 1947. O formato do estádio é oval, medindo 317 metros no eixo maior e 279 metros no menor. Sua altura é de 32 metros. 

Complexo do Maracanã: marquise de concreto armado será demolida e substituída por sistema de lona tensionada, com aprovação do Iphan

Entrevistado
Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) 


Currículo 
- Ícaro Moreno Júnior é Engenheiro Civil formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1980 
- Pós-graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental, pela UERJ, completou também o curso de extensão em Engenharia Ambiental, na UFRJ 
- Em 2006, defendeu tese de Mestrado sobre a Gestão de Recursos Hídricos de Empresa Pública, na área de Planejamento Energético e Ambiental da COPPE, da UFRJ 

Contato: ascom@emop.rj.gov.br /www.emop.rj.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330

"O Estádio da Final da Copa do Mundo de 2014 - Maracanã / Fernandes Arquitetos Associados"

A concepção original do estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, permite intervenções sem o comprometimento do existente. A fachada será preservada e, independente do ponto de observação, por fora o Maracanã permanecerá praticamente intacto. A cobertura é um dos principais elementos introduzidos, mas não trará impacto visual e não será possível avistá-la pelo lado de fora.

Estão sendo mantidos os três primeiros eixos estruturais. Ainda serão mantidas as circulações internas principais e sua relação com a estrutura existente, como pilares, pé-direito, aberturas etc. Por sua vez, todas as estruturas relacionadas aos serviços, como bares e sanitários, serão inteiramente novas e seguirão os mais altos padrões.



Nas arquibancadas, novas estruturas estão sendo projetadas para atender as condições ideais de visibilidade, segurança e conforto. Partes das arquibancadas norte e sul serão mantidas, bem como seu desenho elíptico característico. As tribunas principais nas laterais serão aproximadas ao campo de jogo em 13 metros, criando condição ideal de visibilidade.

Estão sendo criadas novas áreas de evento, lounges, camarotes e outros setores que poderão ser aproveitados para todos os tipos de eventos. As novas áreas de atletas, oficiais de jogo, delegados, camarins, etc, foram projetadas para abrigar com mais conforto e eficiência todas as necessidades para jogos e, também, shows e outros eventos.

A chegada ao estádio dará a sensação que o Maracanã praticamente não mudou. Uma vez dentro do estádio, ainda nas circulações principais, já será possível perceber o antigo com o novo funcionando em conjunto. E, por fim, ao chegar às arquibancadas, a grande revelação e a sensação de estar em um estádio inteiramente novo, mas moldado sobre o perfil do original.


Ficha técnicaArquitetos: Fernandes Arquitetos Associados
Ano: 2011
Tipo de projeto: Esportivo
Operação projetual: Reforma
Status: Construído
Materialidade: Concreto
Estrutura: Concreto e Aço
Localização: Rio de Janeiro, Brasil
Implantação no terreno: Isolado

Equipe

Responsável: Fernandes Arquitetos Associados
Cliente: Governo do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-63966/estadios-da-copa-2014-o-estadio-da-final-da-copa-do-mundo-de-2014-maracana-fernandes-arquitetos-associados

domingo, 22 de dezembro de 2013

Eleonora

Desbravamentos em Olivença - Na casa de praia da minha família eu constantemente fazia desbravamentos nas dunas, na praia e no riozinho. É a lembrança mais forte da minha capacidade de imaginar. Minha potência lúdica latente.

Quando a Tina foi embora - Tina foi a minha babá. Quando ela foi embora eu entendi que babá não é família.

A separação da minha mãe e do meu padastro - Eu perdi um pai.

Primeira vez que eu vi uma peça minha filmada (com 14 anos) - a partir desse dia fui em busca de um corpo mais preciso e expressivo.

Férias com a minha família no verão de 2008 / 2009 - quando eu me senti parte de um lugar.

Primeira vez que eu tomei daime - o mundo se tornou mais lindo e complexo do que a dimensão do meu corpo.

Minha aproximação com o circo - minha iniciação enquanto ser político.

O ALTO RISCO DE UM ATO --- Por Rodnei Nascimento

Artigo que faz um comentário sobre o livro DESERTO DO REAL de Slavoj Zizek
Leiam o curto texto completo em
http://www.forumpermanente.org/rede/numero/rev-numero7/rodneiparaSete

Seguem trechos:

É por isso que Žižek propõe como modelo de ação um Ato, na acepção lacaniana do termo, que rompe sim com as coordenadas de intervenção oferecidas pelo presente, mas sem cair na tentação de querer estabelecer uma identidade plena dos indivíduos com o mundo. Um Ato preservaria sempre um espaço de antagonismo entre os agentes e suas formas de representação.

Por trás dessa concepção está a idéia de que o antagonismo é única forma de relação autêntica possível com o mundo, visto que somente ele faz justiça à natureza da subjetividade humana, marcada por um princípio de inadequação entre si mesma e suas formas de representação. Toda tentativa de reconciliação absoluta seria não apenas falsa, ideológica, mas também uma violência a seu caráter essencial. Preservá-lo seria a única maneira de manter aberto o horizonte da ação humana e de conferir-lhe algum poder de intervenção criadora sobre a realidade.

Não se pode deixar de reconhecer a engenhosidade da solução do pensador esloveno que, ao  complementar a noção hegeliana sobre a negatividade da vontade com a inadequação essencial do sujeito tirada de Lacan, previne-se contra a queda do Ato numa identidade absoluta. Mas também não se pode deixar de constatar que tal estratégia comporta um alto risco. Pois um Ato não se estrutura pelas coordenadas do presente nem se deixa fixar positivamente,  ele é “um passo no desconhecido, sem garantias quanto ao resultado final”. Ou seja, comporta um sério risco de arbitrariedade, porque sua legitimidade não pode ser comprovada de antemão, nem se pode saber como será o seu fim.

Aceitar esse risco torna-se, entretanto, um imperativo no momento em que os referenciais disponíveis para a ação não são mais capazes de ensejar uma verdadeira mudança. A situação daqueles que se engajam num Ato seria semelhante à política revolucionária, em que a tomada de poder jamais pode obter validação dentro da própria ordem a ser derrubada. Nesse instante, “alguém tem de assumir o risco e agir sem legitimação, engajando-se numa espécie de aposta pascaliana de que o Ato em si há de criar as condições para sua própria legitimação”. Como se vê, a tarefa é perigosa, resta saber quem será capaz de assumi-la.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mabel


1- 1992: Acidente de carro. Minha tia-avó tem o fêmur destroçado, minha mãe perde a memória. Só sabe proteger seu bebê, mesmo não tendo certeza se é seu.

 2- 1994: Homens invadem a casa de férias onde estamos hospedados. Fazem minha mãe de refém durante horas, roubam a arma do meu pai e todas as coisas de valor da casa. Meu pai desafia o poder e, mentindo, vai ao quarto onde estão as crianças pra ver se (ainda) está tudo bem.

 3- 2002: Meu pai vai embora de casa. Minha mãe entra em depressão profunda, me fazendo crescer da noite pro dia. A criança aprende a se virar, a ser sozinha. Entendo que a vida é isso.

4- 2006: Recebo uma ligação do meu irmão avisando que está indo embora pra Santa Catarina. Não da tempo de se despedir. Foi de propósito. Não bastasse a metade da minha família ter ido, me levaram o irmão. Durante anos choro todos os dias, sentindo um buraco vazio que nada é capaz de tampar.

 5- 2008: Minha tia-quase-mãe perde a luta contra o câncer. De uma forma brutal, acompanhamos o seu definhar. Mais uma vez, o universo tira de mim uma pessoa querida.

6- 2013: Minha mãe me entrega um envelope contendo cartas do ano de 1986. Ela e meu pai se comunicam da forma mais linda, delicada e atualmente extinta. Percebo que o amor já fez parte da minha família e deu origem a mim. Um sentimento indescritível de dor e emoção toma conta e escorre pelos meus olhos. Um dia pra nunca mais esquecer.

 7 - 2013: Nenhum acontecimento específico, mas todos ao mesmo tempo. Um ano de tanto aprendizado... não sei resumir em palavras o quanto me abriu os olhos e alterou a visão de mundo que eu tinha. Me sinto, enfim, preparada pra ser mãe.

Riane

Por volta do ano 2000 - quando meu pai virou a mesa da casa dele eu entendi que família também é violência
No ano 2013 - quando meu pai recomeçou a vida dele eu entendi que nada é tão rígido que não possa se transformar; e se surpreender

Por volta de 2005 - quando eu vivi sozinha com a minha irmã eu entendi o valor da minha casa

No ano 2007 - quando, depois de um bom tempo, eu partilhei um cotidiano com a minha mãe novamente, eu entendi que é preciso atualizar e recontextualizar os nossos aprendizados

No ano 2013 - quando meu avô morreu eu entendi como é forte o invisível

No ano 2013 - quando dei aula numa escola estadual eu entendi como as expectativas são inexpressivas sem a experiência

Entre 2007 e 2012 - quando estive na universidade eu entendi que tão formador como seguir uma ideia até o fim é olhar pro outro lado e mudar de direção

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Adassa Martins

Encontro #5

Sábado, 21 de dezembro de 2013
De 11h às 15h - Apto da Flávia
Adassa Martins, Andrêas Gatto, Caroline Helena, Dani Carvalho, Diogo Liberano, Flávia Naves, Keli Freitas, Marina Vianna, Natássia Vello, Taís Feijó e Teo Pasquini


resenha tendenciosa, mas só pra dar a palinha

http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Dem%C3%B4nios

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Antonisia.


Momento 1 (1988)-  Vim morar no Rio de Janeiro com sete anos. Vi um homem sujo, descalço e bêbado, falando sozinho na rua Siqueira Campos, esquina com Domingos Ferreira. Ele era um mendigo e eu nunca tinha visto um mendigo antes.

Momento 2 (1992)- A minha família foi acometida por uma triste doença chamada alcoolismo.

Momento 3 ( 1993)- Vovó Iacy faleceu com um tumor no cerebelo.

Momento 4 (1996)- Caminhava alegremente pela rua figueiredo Magalhães quando, na esquina com a rua Domingos Ferreira, um homem enfiou a mão na minha bunda e passou por mim soltando uma gargalhada. Peguei uma pedra portuguesa que estava solta na calçada e joguei na direção da cabeça dele.

Momento 5 (1999)- Conheci o meu primeiro amor.

Momento 6 (2001)-  Fiz um aborto.

Momento 7 (2012)- Visitei o meu tio avô, que estava há algumas semanas na cama do hospital, de olhos fechados e sem reação alguma.  Cantei uma música do Caetano para ele, e no verso onde dizia " futebol e carnaval" ele abriu os olhos e os direcionou aos meus.

PAOLO


1- A morte da minha vó quando eu tinha 4 anos. (Avó materna que me criou até os 4 e de quem tenho memórias mesmo sendo tão novo na época) 

2- a  tomada real de consciência da morte da minha vó quando tinha 8 anos.

3 - a descoberta do orgasmo aos 11 anos.

4 - a primeira vez que suportei um treinamento físico inteiro de futebol sem ter que sair por falta de condições físicas, tinha 12 ou 13 anos.

5 - O mês que fiquei no departamento médico em Friburgo tratando de uma lesão no púbis.

6 - as disciplinas que tive que cursar na faculdade de educação da UFRJ e que me fizeram descobrir um mundo que eu não conhecia e que hoje é o centro do meu pensamento.

7 - a campanha do freixo para a prefeitura do Rio.

Bom, foram esses sete momentos que me promoveram mudanças de consciência e realmente me revelaram coisas muito profundas e inesquecíveis.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

artigo de revista de arquitetura da USP

http://iau.usp.br/revista_risco/Risco13-pdf/07_cor01_risco13.pdf

FIFA concorre ao Public Eye Awards 2014,

Public Eye Awards 2014

Denunciando práticas de negócios irresponsáveis!

http://publiceye.ch/pt-pt/

Causas

A FIFA causou grandes danos a vários brasileiros. A empresa não tem senso de responsabilidade e nega qualquer conexão com alegações de violação de direitos humanos. Sua promessa de deixar um legado positivo contrasta fortemente com a realidade até agora.
A FIFA impôs ao país anfitrião uma série de condições que contribuíram para essas violações. Suas práticas de negócios fazem com que seja cúmplice de violações dos direitos das pessoas.
A associação parece acreditar que a “urgência” relacionada aos seus projetos de infraestrutura, bem como o lucro que alegam que o evento proporciona à sociedade, justifica seu comportamento irresponsável. Além disso, a empresa está isenta do pagamento de impostos, privando o Brasil de pelo menos 1 bilhão de reais (mais de 400 milhões de dólares).

"Leia íntegra da carta de Snowden ao Brasil"

Edward Snowden, ex-técnico da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), alerta os brasileiros sobre o esquema de espionagem de Washington em uma carta aberta obtida pela Folha.

 
No texto abaixo, intitulado "Carta Aberta ao Povo do Brasil", Snowden diz que a reação do país às suas revelações foi "inspiradora". 


CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN 

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria "segurança" --em nome da "segurança" de Dilma, em nome da "segurança" da Petrobras--, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.
A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é "vigilância", é "coleta de dados". Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima --em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas-- e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: "Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver."
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN

*

PV_Arquitetura

ARQUITETURA

O ambiente físico no qual você está trabalhando e como a consciência dele afeta o seu movimento. Quantas vezes assistimos à peças em que há um cenário suntuoso e intricado cobrindo todo o palco e os atores, ainda assim, permanecem com dificuldade na exploração da arquitetura que os envolve? No trabalho da ARQUITETURA como ponto de vista, nós aprendemos a dançar com o espaço, a estar em diálogo com a sala, a deixar o movimento (especialmente FORMA e GESTO) evoluir para fora de nosso próprio espaço.

ARQUITETURA é dividida em:

MASSA SÓLIDA. Paredes, chãos, tetos, mobiliário, janelas, portas, etc;

TEXTURA. Se a massa sólida é de madeira ou metal ou tecido modifica o tipo de movimento que criamos em relação com ela;

LUZ. As fontes de luz na sala, as sombras que fazemos em relação a estas fontes, etc;

COR. Criando movimento a partir das cores no espaço, como uma cadeira vermelha entre inúmeras outras pretas afetaria a nossa coreografia em relação a ela;

SOM. Som criado pela arquitetura e a partir dela, o som dos pés no chão, o ranger de uma porta, etc.

No trabalho com ARQUITETURA nós criamos metáforas espaciais, dando forma a sentimentos como “eu estou contra a parede”, “preso entre as rachaduras”, “preso”, “perdido no espaço”, “no limiar”, “alto como uma pipa”, etc

BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The Viewpoints Book – A Pratical Guide to Viewpoints and Composition. Tradução de Diogo Liberano. New York: Theatre Communications Group, 2005, p. 8-12.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Encontro #4

Terça-feira, 17 de dezembro de 2013
De 18h às 22h - Apto da Marina
Caroline Helena, Diogo Liberano, Flávia Naves, Gunnar Borges, Keli Freitas, Marina Vianna, Natássia Vello, Taís Feijó e Tigre

La Reine Margot

Alexandre

momento 1 (1993)-- Eu tinha 4 anos, estava num clube em Ipatinga nas Minas Gerais. Entrei no ônibus sozinho, fiz uma viagem de mais de 4 horas, cheguei no local e ninguém sabia como eu havia entrado e estado ali, chorei.
Meu desejo de permanecer em fluxo

momento 2 (1997)-- eu tinha 7 anos e quis me matricular na aula de teatro, não havia vagas, chorei e abriram uma exceção.No exercício que fizemos em roda tentei transformar o toco de madeira em flauta. 

momento 3 (1999/2000)-- eu tinha entre 9 e 10 anos, era dia de Cosme e Damião, eu estava em busca de doces e parei  num centro candomblé. vi vários adultos de saia rodando de forma infantil, era escuro e uma mulher veio conversar comigo com voz de criança. O nome dela era "Folhinha", ela me deu bolo de côco e nós brincamos por um tempo. Uma das primeiras experiências de fascínio e terror.

momento 4 (2000/2001)-- eu tinha 10 anos e ia escondido na casa de uma senhora muito idosa do meu bairro lavar a  sua louça, subia numa cadeira pq não alcançava a pia e ouvia ela me contar estórias. Foi o meu maior segredo.

momento 5 (2003/2004)-- eu tinha entre treze e quatorze anos, viajei sozinho para Caucaia  no Ceará. fiquei em uma praia deserta, caminhei nas dunas e tomei banho no encontro do mar com o rio.


momento 6 (2006)-- eu tinha dezesseis anos e beijei um homem. Comecei a fumar


momento 7 (2007)-- eu tinha dezessete anos, saí da casa dos meus pais e fui morar sozinho. Amei ainda mais minha mãe




Virgília


Momento 1, 1991- 1993, eu devia ter entre 8 e 10 anos. Cheguei da escola e encontrei minha mãe chorando sentada na mesa redonda da sala, meu pai ao seu lado em silêncio.

Momento 2, 1992 - 1995, Marcelo era amigo dos meus irmãos, tinha 15 anos e um câncer, dizia que quando crescesse se casaria com a minha irmã.

Momento 3, 1995-1998, eu devia ter entre 12 e 15 anos. Era noite, da escada de casa escutava minha mãe ao telefone na sala gritando apavorada com seu sócio, ele dizia repetidas vezes que ele estava dando o golpe nela.

Momento 4, 1999. Vi um corpo boiando no lago do parque em frente a minha casa, o garoto se parecia com meu irmão do meio e usava um relógio no pulso direito.

Momento 5, 2005. Enquanto almoço com minha mãe em um restaurante de hotel no Rio de Janeiro, ela revela ter mantido uma relação extra-conjugal por dez anos. 

Momento 6, 2009. Estou em São Paulo na casa do filósofo Peter Pal Pelbart, ele lê pra mim um trecho do livro Instabilidade Perpétua, de Juliano Garcia Pessanha. 

Momento 7, Junho de 2013. Meus olhos não alcançam o que vêem. Encurralada pela multidão que manifestava na avenida Presidente Vargas, o horror engolia o maravilhamento. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Manuela

Sete itens com a morte nos olhos
7. espanto e medo: junho, 2013. Manifestação na Av presidente Vargas. Multidões, explosões: por que levei meu filho???
6. 2002: escola municipal república do líbano, na fronteira entre vigário geral e parada de lucas. o dia seguinte à invasão; a professora afastada: vai encarar?
5. 2001: E.M.França nas proximidades do morro do urubu, zona norte do rio.  Tiroteio. Vi as luzes, vi a guerra.
4. 1978: eleições para deputados. Estava numa passeata panfletando com a familia. Encostei num poste levei um choque. Chovia.
3. 1976: todo mundo tinha um outro nome.
2. 1975: a polícia vigia e quebra o muro da casa onde moramos em São Paulo.
1. 1974: Vou dormir na casa da Tia Claudia, professora da Escola Municipal Marechal Hermes onde faço o jardim de infãncia. Ligaram pra escola avisando que era melhor eu não ir para casa.

sábado, 14 de dezembro de 2013

concreto armado ii


descrição de concreto armado ii

espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário

no dia 15 de dezembro de 2013, entre 10:00 e 12:00 horas, acontecerá em volta da estátua do carlos drummond de andrade; a saber: avenida atlântica na altura do posto 6 em copacabana/rio de janeiro; a solenidade de fundação do espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário.

o acontecimento é fruto do encontro entre o projeto de mestrado “ da rua para o palco: percursos e metodologia de uma invenção cênica” ( estudos contemporâneos da arte/ uff) e do programa de performances concreto armado.

o evento de fundação do espaço de preservação de um cotidiano lúdico e solidário será aberto ao público transeunte, acontecerá sob sol (ou chuva) e será composto por uma série de ações simultâneas no território que circunda a estátua do nosso muito caro poeta drummond. 

a partir deste dia, no qual também realizaremos o solene momento de corte da faixa de inauguração, o micro território que se apreende do recorte feito pelas ruas julio de castilhos, av. rainha elizabeth, av. nossa senhora de copacabana e av. atlântica + a faixa de calçadão, areia e mar relativa a estas linhas, será compreendido como espaço propulsor de um cotidiano vivo, onde a utopia pode fazer morada e os sentidos poderão buscar viver de acordo com as ações.

mas viveremos

já não há mãos dadas no mundo.
elas agora viajarão sozinhas.
sem o fogo dos velhos contatos,
que ardia por dentro e dava coragem.
desfeito o abraço que me permitia,
homem da roça, percorrer a estepe,
sentir o negro, dormir a teu lado,
irmão chinês, mexicano ou báltico.
já não olharei sobre o oceano
para decifrar no céu noturno
uma estrela vermelha, pura e trágica,
e seus raios de glória e esperança.
já não distinguirei, na voz do vento
(trabalhadores, uni-vos...) a mensagem
que ensinava a esperar, a combater,
a calar, desprezar e ter amor.
há mais de vinte anos caminhávamos
sem nos vermos, de longe, disfarçados,
mas a um grito, no escuro, respondia
outro grito, outro homem, outra certeza.
muitas vezes julgamos ver a aurora
e sua rosa de fogo à nossa frente.
era apenas, na noite, uma fogueira.
voltava a noite, mais noite, mais completa.
e que dificuldade de falar!
nem palavras nem códigos: apenas
montanhas e montanhas e montanhas
oceanos e oceanos e oceanos.
mas um livro, por baixo do colchão
era súbito um beijo, uma carícia,
uma paz sobre o corpo se alastrando,
e teu retrato, amigo, consolava.
pois às vezes nem isso. nada tínhamos
a não ser estas chagas pelas pernas,
este frio, esta ilha, este presídio,
este insulto, este cuspo, esta confiança.
no mar estava escrita uma cidade,
no campo ela crescia, na lagoa,
no pátio negro, em tudo onde pisasse
alguém, se desenhava tua imagem,
teu brilho, tuas pontas, teu império
e teu sangue e teu bafo e tua pálpebra,
estrela: cada um te possuía.
era inútil queimar-te, cintilavas.
hoje quedamos sós. em toda parte,
somos muitos e sós. eu, como os outros.
já não sei se vossos nomes nem vos olho
na boca, onde a palavra se calou.
voltamos a viver na solidão,
temos de agir na linha do gasômetro,
do bar, da nossa rua: prisioneiros
de uma cidade estreita e sem ventanas.
mas viveremos. a dor foi esquecida
nos combates de rua, entre destroços.
toda melancolia dissipou-se
em sol, em sangue, em vozes de protesto.
já não cultivamos amargura
nem sabemos sofrer. já dominamos
essa matéria escura, já nos vemos
em plena força de homens libertados.
pouco importa os dedos se desliguem
e não se escrevam cartas nem se taçam
sinais da praia ao rubro couraçado.
ele chegará, ele viaja o mundo.

e ganhará enfim todos os portos,
avião sem bombas entre natal e china,
petróleo, flores, crianças estudando,
beijo de moça, trigo e sol nascendo.
ele caminhará nas avenidas,
entrará nas casas, abolirá os mortos.
ele viaja sempre, esse navio,
essa rosa, esse canto, essa palavra.
(carlos drummond de andrade)

caroline helena 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Wislawa Szymborska (1923 - 2012)

http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2012/02/wislawa-szymborska-1923-2012.html

O poeta e o mundo por Wislawa Szymborska

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-8/poesia/o-poeta-e-o-mundo

_despedida_WISŁAWA SZYMBORSKA (1923-2012) > Março de 2012

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-66/despedida-wislawa-szymborska-1923-2012/a-poeta-e-a-pedra

Debates Actuales de la Teoría Política Contemporánea

http://teoriapoliticacontemporanea.blogspot.com.br/2013/10/textos-estetica-y-politica.html

Encontro #3

Terça-feira, 10 de dezembro de 2013
De 18h às 22h - Apto da Marina
Andrêas Gatto, Caroline Helena, Diogo Liberano, Flávia Naves, Gunnar Borges, Keli Freitas, Marina Vianna, Natássia Vello, Taís Feijó e Teo Pasquini

idiota

cheguei

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Encontro #2

Domingo, 08 de dezembro de 2013
De 11h às 15h - Sede Inominável
Adassa  Martins, Andrêas Gatto, Caroline Helena, Diogo Liberano, Flávia Naves, Gunnar Borges, Marina Vianna, Natássia Vello, Taís Feijó e Teo Pasquini

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

especulando estruturas

8 quadros

sem linearidade

(tal qual VIDAS SECAS de graciliano ramos)

em contagem regressiva

(tal qual nossas AÇÕES PERFORMÁTICAS)

ordem épica

(des_montando a cronologia)

8_diogo

(a impressão do passado)

7_natássia

(a metaficção)

6_marina

(o telefone)

5_gunnar

(alegoria)

4_flávia

(manipulação temporal)

3_caroline

(surpresa)

2_andrêas

(fluxo de consciência)

1_adassa

(skaz adolescente)

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só eu entendo este esqueleto (ou não).
o importante é que cada um deles é um encontro
no qual todos se revelam de novo
e novamente
tal qual VIDAS SECAS
quero dizer
cada encontro é uma aula
ministrada por um aluno
(pode-se apagar a formalidade aluno e professor?)

arena
tipologia espacial: arena
perspectiva em 360º
para não caber nos olhos

pode-se apagar a formalidade
em roda
a professora
misturada aos alunos

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o meu quadro
vem em primeiro
porque não estarei em cena
para vivê-lo
(isso não justifica)
mas o que este primeiro quadro abre
é justamente a explosão
para o qual todos os outros quadros
parecem se dirigir a.

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contra a interpretação, susan sontag
causa-efeito
não
bom-ruim
não
belo-feio
não
sim-não
não
assim
não se sabe o destino destes personagens
porque só há o presente
e tudo é passível de ser agora
quem então faz a história?

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uma aula sobre história.
sobre o conceito de história.
sobre novela
clip
pós-modernismos
e afins

nunca fomos modernos

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A realidade enquanto ação dramática

Ontem fizemos o primeiro encontro voltado para a efetiva criação de nosso novo espetáculo. E, prezando aquilo que nos interessa, foi obviamente mais que um encontro, mas também uma comunhão de incômodos e um compartilhar profundo de pontos de vista acerca do mundo, de nosso ofício e de tudo aquilo que nos faz estar presentes em torno desta criação. Concreto armado nos surge enquanto saldo de um percurso. Não escrevo isso com intuito de situar esta criação dentro de uma trajetória a qual se deva fazer mesura. Não isso. Escrevo porque acredito que para compreender o instante é preciso sair dele e olhar de longe, com olhos de satélite. Há uma especificidade neste projeto que encanta e apavora, que seduz e traga ao fundo (profundo profícuo abismo).

Pela primeira vez, em cinco anos de trabalho voltado ao Teatro Inominável, eu me vejo desde o início - desde a primeira intuição (intuições de guerra) - mais colado com a vida em sociedade do que com algum simulacro seu, do que com alguma mera fantasia, ficção ou invenção. Não escrevo a partir de pressuposto de qualidade, valor ou coisa assim. Mas neste espetáculo o tema central que se espreita escorre vida afora, pelas ruas, jornais e por entre nossos passos e discursos. Como criar aquilo que me dá base e confere o tom dos meus dias? Como falar de algum discurso se o próprio discurso já se prendeu ao meu peito e a minha língua?

A sensação é única: desconforto. Puro e retinto, como noite sem estrela. Estamos querendo criar aquilo que mora antes de nós, que mora já no mundo. Então estamos falando de criação ou revolução? Os ânimos se exaltam e o dessabor ante ao mundo é capaz de minar também o desejo criativo. Percebem? Há uma sobreposição de desejos que se costuram e se repelem: a criação quer mudar o mundo (e o artista quer mudá-lo também). Dupla intenção. Excesso de literalidade (aquilo que fazemos é o que queremos fazer). Isso deveria ser bom, mas cega os olhos e fere a sensibilidade, porque o mundo anda doente e mexer nele nos evoca estado constante de febre.

Para falar do Rio de Janeiro, em ano de Copa do Mundo, eu preciso olhar de qual ângulo? Mas, se de onde eu olho eu me vejo também olhando, que distância pode me salvar da confusão que é se ver tanto artista quanto cidadão? Estas palavras me confundem e, ao mesmo tempo, são o sintoma nítido e nebuloso da minha confusão. Vamos tentar por outro começo.

O assunto que estamos falando não é o amor impossível entre Nina e Konstantin, tal qual Tchékhov especula em sua obra A gaivota (ele especula isso?). Não estamos falando do príncipe Hamlet e de sua Dinamarca envilecida. Nada disso. O nosso assunto é onde a gente vive, as nossas indagações antes de serem jogadas em sala de ensaio, já se estimularam pelo trajeto casa-nossa-até-sala-de-ensaio. Há um único lugar no qual se mistura vida e criação. Por isso talvez falemos tanto em performance, no já clichê (posto seja verdade concentrada) do aqui-e-agora. Percebam, o aqui e o agora são também o aqui e agora quando estivermos nos apresentando (ou melhor, quando estivermos sendo esta peça). Não há sequer diferença prevista entre hoje e o amanhã: estaremos sempre à prova, em cena ou fora, porque tudo é sobre o mundo, tanto a criação, quanto nossa existência. Há um único tempo: este agora no qual eu estou falando sobre a rua e criando suas dinâmicas noutro rumo, possivelmente imprevisto à ordem do dia.

Volto então as intuições minhas enquanto artista aqui neste Brasil de hoje. Faz muitos anos tenho me apegado mais e mais na força imensa que é a ficção. Se quero falar de mundo, falo então daqueles que - presos na minha história inventada - vivem o mundo (do qual quero falar). Tudo indireto, mas para chegar mais fundo e longe. Em uma de nossas peças, Como cavalgar um dragão, eu tentei escrever uma dramaturgia que pudesse oferecer a minha vida uma solução que eu não pude ter. Então a dramaturgia veio como invenção de um mundo no qual eu aprendesse junto - e com meus amigos - a sobreviver ao suicídio de alguém comum a todos nós. Em ficção, eu vivi uma parcela da minha vida que sequer aconteceu. Mesmo assim, aconteceu. E mais: repetidas vezes. E muito mais: sob muitos olhares que não somente o meu. Virou mundo e doação.

Fiquemos então na ficção. Nesta força imensa que é se especular enquanto outro possível. Tem uma coisa que só a criação artística pode fazer por nós: nos deixar frente a frente com a morte. Recriar, de forma deliberada e efetiva, outro tipo de encontro. Outro tipos de relação. Vida(s). Outros possíveis, tanto como impossíveis. Não há limite previsto. O impossível já está dado e tem hoje por nome realidade. Pois então vamos nos proteger no cobertor da ficção para que possamos dar conta desta vidinha amarrada a tenebrosos dias.

Eu queria e ainda quero muito contar a história específica dessa professora universitária e desses seis alunos. Mas isso não é tudo, porque é geral demais. Então, começo a pensar no que ela está fazendo agora, nesta noite de quarta-feira, meio quente, meio no meio do Rio de Janeiro, na janela, em casa, tomando uma coca-cola e fumando um cigarro. Quero pensar num dos alunos preso dentro de um ônibus engarrafado (como eu estive hoje durante mais de duas horas). Quero pensar no outro amando em desmedida e tentando se manter acordado sobre o texto que precisa ser lido até quinta (diferente de mim). É nessas minúcias que o homem enquanto ser se anuncia e desvela. Não quero falar do homem, quero falar dele e dela. Das unhas carcomidas e dos sonhos interrompidos (quais sonhos?). Dos pesadelos, medos concretos e abruptos. Quero falar da música que rodeia as orelhas e faz do mundo lugar mais ameno do que aparenta.

A realidade virou nossa ação dramática e, como tal, já sabemos, precisa ser reconstruída. Queria convidar vocês a entrar na sala de ensaio sem querer dar conta do mundo, mas apenas reféns da diferença que é o sumuadubo do nosso encontro. O mundo muda quando estamos reunidos, portanto, não vamos deixar o mundo estabelecido esmorecer a nossa potência.

Creio então que a nossa ação é dramática desde que estejamos juntos.

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Ao som de HAIM - Let Me Go (repetidas vezes):


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Encontro #1

Terça-Feira, 03 de dezembro de 2013
De 18h às 22h - Apartamento da Keli
Adassa  Martins, Andrêas Gatto, Caroline Helena, Diogo Liberano, Flávia Naves, Gunnar Borges, Keli Freitas, Marina Vianna, Natássia Vello e Taís Feijó.

Os Passistas_ Caetano Veloso





domingo, 24 de novembro de 2013

concreto armado iii


descrição de concreto armado iii

grito

descrição (vai estar na primeira pagina do caderno, como instrução): esta ação é um desabafo. um grito seu, meu, nosso. eu já não posso mais. me calaram. as forças me calaram, as cenas, imagens, reflexões, noticias, impotência... a proximidade me cala.

o meu grito é através do seu. hoje você é quem fala por mim. pois então faça isso - grite! 

o que eu quero de você? seu desabafo. 

o que te afeta? qual sua indignação maior no cenário atual? pense no rio de janeiro, na situação política e social que estamos enfrentando, no lugar manipulador que a mídia ocupa, nos presos políticos, nas manifestações, na copa do mundo, na truculência policial, no governo, em toda a imundice que somos obrigados a enfrentar diariamente... 

permita-se escrever, ou quem sabe desenhar, rabiscar, fazer um origami, o que quiser. (pode ser uma carta, um bilhete, uma frase, uma palavra...).

eu, hoje, infelizmente não posso conversar com você. mas você pode conversar comigo. utilize as folhas desse caderno para isso. perdoe-me por não responder, mas tenha a certeza de que, ao entrar em contato com esse material, terei muito o que dizer. portanto, se assim desejar, deixe seu email para que possamos nos corresponder. eu te escreverei. 

permita também que outras pessoas tenham acesso a este caderno. ele é coletivo e será utilizado posteriormente para fins artísticos. não precisa se identificar, se não quiser. 

obrigada por acreditar em mim. obrigada por gastar seu tempo comigo. 

data: 26/11/2013 (terça-feira)
horário: a partir de 10h, permanecendo por 40 minutos em cada lugar.
locais: corredor da eco - ufrj / porta principal do shopping leblon / largo da carioca / del castilho (passarela do shopping nova américa) / hospital miguel couto / colégio municipal (?) perto da ufrj

materiais utilizados: um caderno pautado, inicialmente em branco, com o texto de descrição na primeira folha / caneta / uma mordaça preta / um cartaz dizendo "você não quer saber sobre isso"

vou chegar no local, vestir a camisa de escola municipal, me posicionar, colocar a mordaça e esperar.

obs: não posso me alimentar, beber líquidos ou usar o telefone enquanto estiver com a mordaça. no trajeto de um lugar para o outro isso será permitido. eu removerei a mordaça para me deslocar entre os locais escolhidos. tenho uma pausa para almoço quando achar necessário. 

taís feijó

Resposta a CONCRETO ARMADO VI - MANY[festa]AÇÃO

Ada ---

Minhas respostas estão virando colocações teóricas, mas juro, nasce tudo de algum arrepio que se conserva, desde o dia em que estivemos reunido em torno do estádio Mário Filho, o Maracanã. Creio, em primeiro lugar, que a sua ação performática anulou a noção que eu tinha de performance. Eu vou tentar me explicar:

ao invés de acontecimento estético, ao invés de um programa sendo seguido - por mais que tivesse sido planejado, não foi cumprido - houve uma tensão constante, como se fosse uma dramaturgia de linha, pequena, correndo o risco de sumir e nunca mais voltar. UM FINA TENSÃO, TAL QUAL FIO QUE PRENDE O BALÃO DE GÁS.

Depois, a presença da sua família, tornando mais real o que eu sabia que se pretendia não ser. Não se pretendia ser real? É onde me engano. Sua ação misturou as coisas e apaziguou tremores. Ao mesmo tempo, é estranho, estava tudo lá, na iminência. Eu fico, hoje, pensando em poética negativa, nessa ação de dizer uma coisa fazendo-a por meio de outra forma (não prevista).

Nós limpamos o coreto e fomos embora. Mas a coisa continuou presente em mim, sob forma de estranhamento. Eu não escrevo para validar, dar parabéns, dizer se gosto ou não gosto. Eu escrevo para estender até você (até vocês), a minha resposta mais sincera ao que foi compartilhado ali.

Acho inesquecível:
Estes dois trabalhadores enjaulados no Maracanã e você passando pelas grades doce da festa para eles.


Acho possível:
Fazer da cidade um pequeno set de gravação de si mesma, no qual se forjam outras realidades.


Por fim, o que encontrei: uma fina tensão guardada com afeta numa inocência qualquer.
Esta sua ação é modelo exato daquilo que seria propulsor de uma tragédia como a nossa.

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sábado, 23 de novembro de 2013

Resposta a CONCRETO ARMADO VII - Natureza Morta


Gunnis ---

Eu não fui te ver. Eu lembro que estava ocupado com alguma coisa, mas, mesmo assim, lembro mais da minha preocupação com um projeto de ação cuja entrada - irrevogável - no seio da cidade fosse tão avassaladora. E tão espetaculosa.

Daí estava no computador e vi uma amiga, com quem não falava fazia anos, vi esta amiga postar uma foto tirada do alto de um prédio. Eis o print screen que fiz da foto no momento em que ela postou. Depois, seguiram-se conversas e explicações possíveis ao que fazia você estar ali, naquela situação desejada.


E mesmo que nada tivesse dado a sua ação algum sentido (possível, a quem desconhecesse se tratar de uma ação estética), ainda assim era você, fazendo comunhão com a cidade, elevando à enésima potência o encontro com a rua.

Depois eu recebi um telefonema da Natássia, meio que me pedindo ajuda, porque haviam jornalistas, fotógrafos e a coisa toda tinha se encaminhado para outro lugar. Daí eu fiquei me perguntando, como fazer para não transformar em capa de jornal/revista toda a nossa ira?

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